Filarmônica de NY interpreta hino dos EUA na Coréia do Norte

Concerto histórico marca iniciativa de distensão nas relações entre os Estados Unidos e o país comunista

Efe e Associated Press,

26 de fevereiro de 2008 | 07h48

A Filarmônica de Nova York interpretou nesta terça-feira, 26, os hinos da Coréia do Norte e dos Estados Unidos no início de seu histórico concerto em Pyongyang, que levou ao país comunista a maior delegação americana em meio século.  Veja também:Coréia do Norte quer show do guitarrista Eric Clapton  O concerto é histórico, pois é a primeira vez que um agrupamento cultural americano do nível da Filarmônica de Nova York se apresenta na capital do país comunista desde o fim da Guerra da Coréia, em 1953, concluída com a assinatura de um armistício, mas não com um tratado de paz. Dirigida por seu titular, Lorin Maazel, a orquestra apresentou um programa composto pelo prelúdio do terceiro ato da ópera Lohengrin de Wagner, pela nona sinfonia de Antonin Dvorak e pelo tema "Um americano em Paris" de George Gershwin, entre outras obras. O concerto sem precedentes aponta para um degelo nas relações entre as duas nações que se mantêm num impasse envolvendo o programa de armas nucleares de Pyongyang. O líder norte-coreano Kom Jong il não estava entre as 2.500 pessoas presente no Grande Teatro Pyongyang Leste. Antes da apresentação na isolada Coréia do Norte, o diretor musical Lorin Maazel lembrou que a orquestra já foi no passado uma incentivadora de mudanças, quando em 1959 tocou na União Soviética como parte da abertura do regime comunista ao mundo. "Os soviéticos não perceberam que tratava-se de uma espada de dois gumes, porque eles permitiram que as pessoas do mundo exterior interagisse com seu povo, e os influenciasse", afirmou ele a jornalistas em Pyongyang. "Teve um efeito tão duradouro que eventualmente as pessoas no poder se viram fora do poder". Perguntado se acreditava que o mesmo iria ocorrer na Coréia do Norte, ele respondeu: "Não existem paralelos na história; existem similaridades". Nas ruas de Pyongyang, os norte-coreanos diziam estar consciente da visita da orquestra. Mas a presença ainda não ocupou as primeiras páginas dos jornais: uma foto da chegada da orquestra no aeroporto da capital foi publicada nas páginas internas do jornal Rodong Sinmun, com matérias apresentando o evento. Na Grande Sala de Estudo do Povo, a maior livraria do país com 30 milhões de volumes, jornalistas viram norte-coreanos pesquisando em catálogos eletrônicos, lendo jornais e tendo aulas de línguas e ciência. Um professor de inglês, Jeon Hyun Mi, opinou que a visita da orquestra servirá para aproximar os dois povos, e que as desavenças são produto dos dois governos. "Achamos que temos boas relações, os povos são muito próximos" disse.

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