'Forças iraquianas não estão prontas para assumir segurança'

Painel do Senado dos EUA não aposta em autonomia do Iraque; presidente da comissão discorda e vê avanço

06 de setembro de 2007 | 17h33

Uma comissão independente de experts militares, estabelecida pelo Congresso dos Estados Unidos para avaliar o avanço da situação no Iraque, afirmou nesta quinta-feira, 6, que as "forças de segurança iraquianas não podem defender ainda a integridade territorial do país".Depoimento de Petraeus deve acirrar presidenciais no EUA   Mas, para o general aposentado James L. Jones, que encabeça a comissão, "essa não é necessariamente uma conclusão alarmante", informou o The New York Times.   Ainda segundo o ex-general, o progresso registrado no Iraque é suficiente para prever uma mudança estratégica no papel do Exército americano e uma redução de forças já no ano que vem.   "O tamanho e a missão da coalizão militar podem ser alterados em um futuro próximo, assim que o exército iraquiano e as forças policiais continuarem a progredir", afirmou Jones.   Na próxima segunda-feira, o comandante das forças dos EUA no Iraque, o general David Petraeus, falará à comissão e apresentará seu aguardado relatório sobre o impacto do reforço das tropas na contenção da violência e nos avanços políticos em Bagdá.   Como já adiantado por ele, será recomendada uma redução no número de soldados sob seu comando, em março. O presidente Bush - que tomou a decisão de enviar mais 30 mil soldados no começo de 2007 - também se referiu a essa hipótese, ao visitar a província iraquiana de Anbar nesta segunda, como escala de uma visita à Austrália.   O jornal americano afirma ainda que Jones acredita que todas as 18 províncias iraquianas deveriam ser transferidas para o controle político iraquiano. O general foi rapidamente questionado por outros senadores, que expressaram sua clara frustração com as forças no país.   O líder da maioria no Senado, o democrata Harry Reid, afirmou que seu partido vai continuar pressionando por uma nova estratégia no Iraque. Segundo o senador, o relato de Jones "infelizmente nos diz mais do mesmo: que a estratégia do presidente nos aproxima da reconciliação política e que já passou da hora de mudar o curso no Iraque".   Relatório duvidoso   O exército dos EUA afirma que a violência gradualmente diminuiu no Iraque nos recentes meses. Mas experts, integrantes ou fora do governo, acreditam que algumas dessas estatísticas são questionáveis, afirma o Washington Post.   A administração Bush afirma que a estratégia funciona. Em seu pronunciamento de segunda, Petraeus deve evidenciar uma diminuição de 75% nos ataques sectários. De acordo com ele, caíram de 1.700 semanais em junho pra 960 em agosto, e a baixa entre civis caiu 17% nos últimos 8 meses.   Autoridades americanas no Iraque discutem a precisão das conclusões do relatório, no qual eles afirmam ter sido usada uma metodologia de contagem falha pela CIA e pela Agência de Inteligência da Defesa.   De acordo com uma autoridade em Washington, o termo se evidencia por casos como "se uma bala entrar pela parte de trás da cabeça, é sectário" (como a morte é contabilizada). "Se entrar pela frente, é criminal".

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