Forças russas detêm policiais georgianos em porto, diz Geórgia

Otan se reúne nesta terça-feira para definir resposta à Rússia após incursão em apoio a separatistas georgianos

Agências internacionais,

19 de agosto de 2008 | 07h18

A Geórgia acusou as forças russas nesta terça-feira, 19, de entrar no porto de carregamento de petróleo de Poti, no mar Negro, e deter 20 autoridades policiais. A denúncia foi feita no mesmo dia em que os ministros das Relações Exteriores dos países membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) se reúnem, em Bruxelas, para discutir o conflito entre Rússia e Geórgia. A reunião de emergência foi convocada pelos Estados Unidos e a intenção é discutir a resposta da aliança à ação russa.   Veja também: Geórgia e Rússia fazem 1ª troca de prisioneiros EUA devem reavaliar relação com Rússia' Ouça o relato de Lourival Sant'Anna  Imagens feitas direto de Gori, na Geórgia  Godoy e Cristiano Dias comentam conflito  Entenda o conflito separatista na Geórgia   "Eles entraram no porto civil e chutaram todos para fora", disse o porta-voz do Ministério do Interior da Geórgia, Shota Utiashvili.  Diversos homens com vendas nos olhos foram colocados em veículos blindados da Rússia, que seguiam para a cidade ao leste de Senaki.    Segundo testemunhas, tropas, tanques e blindados russos começaram a deixar a cidade de Gori, situada nos arredores da capital Tbilisi e principal ligação entre o leste e o oeste do país. De acordo com um repórter da Reuters, os veículos seguiram em direção à Ossétia do Sul, província separatista georgiana com aspirações pró-Moscou e apoiada pelo presidente russo, Dmitri Medvedev.   Nesta terça, o general Anatoly Nogovitsyn, vice-chefe do Estado-Maior russo, negou as informações da imprensa no Ocidente de que Moscou estaria planejando equipar seus navios de guerra no mar Báltico com armas nucleares. "Qual a necessidade de preparar nossa frota no Báltico com armas nucleares e qual a ligação entre isso e a nossa situação aqui?", perguntou Nogovitsyn em uma conferência de imprensa.   O governo russo transportou plataformas de lançamento de mísseis SS-21 para a província separatista da Ossétia do Sul na sexta-feira, segundo afirmou um funcionário do Ministério da Defesa dos EUA sob condição de anonimato. De acordo com a fonte, o armamento pode colocar a Geórgia na mira e atingir várias cidades na região, incluindo a capital, Tbilisi. "Estamos vendo eles (russos) solidificarem suas posições na Ossétia do Sul e na Abkázia", disse o funcionário do Pentágono. Moscou, porém, negou ter instalado mísseis na província separatista, afirmando que "não vê necessidade" de tal medida.   Reunião da Otan   Segundo a BBC, não há um consenso sobre como a aliança deveria responder. De um lado, Reino Unido, Canadá, Estados Unidos e a maioria dos países do leste europeu que participam do bloco irão buscar uma reação mais dura, enquanto países do oeste europeu, liderados por França e Alemanha devem ser mais cuidadosos para não prejudicar as relações com Moscou.   No entanto, os países membros têm a mesma opinião sobre a postura da aliança com relação à Geórgia, e devem oferecer forte apoio político ao país, ressaltando o respeito ao seu território e soberania, além de reiterar a proposta de uma futura adesão ao grupo. Além disso, o grupo deve ainda oferecer mais apoio humanitário e discutir propostas sobre como reconstruir a infra-estrutura da Geórgia destruída durante o conflito.   Os principais objetivos diplomáticos da Otan são a retirada completa das tropas russas do território georgiano, a presença reforçada de observadores internacionais e um acordo de paz mais neutro.   Na segunda-feira, a Geórgia disse não ter provas de que a Rússia teria começado a retirar tropas do seu território, como está previsto no cessar-fogo assinado pelos dois lados. "O lado russo está violando gravemente as condições do acordo de paz assinado pelos presidentes de Geórgia, França e Rússia", afirmou diz um comunicado oficial do Ministério do Exterior georgiano, citando novas operações russas no seu território.   Um porta-voz do Ministério da Defesa russo, general Nikolay Uvarov, porém, afirmou que a retirada já foi iniciada, embora tenha dito que a operação levará dias para ser concluída. O conflito em torno da Ossétia do Sul começou há 12 dias, quando o Exército georgiano tentou recuperar o controle da região rebelde, onde um movimento separatista luta pela unificação com a Ossétia do Norte, que fica em território russo. Em resposta à ofensiva de Tbilisi, a Rússia enviou tropas para expulsar os georgianos.   A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, está em Bruxelas para a reunião desta terça-feira. Durante a viagem até o país, ela falou com a imprensa e afirmou que a Otan não pode permitir que a Rússia atinja seus objetivos estratégicos na Geórgia ou intimide outros governos do antigo bloco soviético. "Temos que rejeitar os objetivos estratégicos da Rússia, que são claramente ameaçar a democracia na Geórgia, usar sua capacidade militar para danificar ou destruir a infra-estrutura do país e tentar enfraquecer o estado georgiano", disse Rice aos jornalistas.   Washington negou acusações feitas por Moscou de que estaria tentando prejudicar o Conselho Rússia-Otan, um painel criado em 2002 para melhorar as relações entre os antigos inimigos da época da Guerra Fria.    

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