Funeral de jovem negro morto pela polícia nos EUA é marcado por pedidos de paz

Familiares e simpatizantes de Michael Brown celebraram a vida do adolescente negro morto a tiros por um policial branco em Ferguson, Estado norte-americano de Missouri, durante um funeral na segunda-feira repleto de músicas e pedidos por paz e reformas na polícia.

EDWARD MCALLISTER, REUTERS

26 de agosto de 2014 | 11h10

O subúrbio onde Brown morava, que tem passado por tumultos desde sua morte, estava tranquilo após a cerimônia e também durante a noite, embora a polícia tenha dito que havia outra manifestação planejada para terça-feira.

A morte de Brown, em 9 de agosto, chamou a atenção no mundo todo sobre o estado das relações raciais nos Estados Unidos e evocou memórias de outros casos de motivações raciais, incluindo a morte do adolescente negro Trayvon Martin na Flórida, em 2012.

Muitas pessoas se reuniram na moderna igreja de tijolos vermelhos e na Dr. Martin Luther King Drive, em St. Louis, para o funeral na segunda-feira.

O caixão do jovem de 18 anos estava cercado de fotos dele quando criança, na graduação da escola e sorrindo com seu boné de beisebol.

Uma música gospel cantada por um coro dominava o santuário, e as pessoas batiam palmas e dançavam nos corredores. Leituras da Bíblia foram recebidas com gritos e aplausos.

“Foi realmente espiritual”, disse Mike Montgomery, um servidor público negro que afirmou ter tirado o dia de folga para ir ao velório.

“Eu geralmente vejo mais lamentações em um funeral”, disse Montgomery, de 38 anos. “Eu acho que a família quis uma celebração. É por isso que havia essa música animada."

No programa da missa estavam as palavras de seus pais para o filho falecido.

Uma carta enviada por Michael Brown Sr. dizia: “Eu sempre disse que nunca deixaria nada acontecer a você e é isso que machuca demais, que eu não pude te proteger”.

Depois, uma procissão funerária levou o caixão de Brown para o Cemitério de St. Peter, a poucos quilômetros da casa da família.

Michael Brown Sr. chorou ao lado da cova do filho e deixou escapar um grito antes de ir embora. Sua mãe chegou com outro grupo. Ela se apoiou em cima do caixão e chorou.

Um grande júri começou a escutar as provas do tiroteio e o Departamento de Justiça dos EUA abriu sua própria investigação.

Em sua eulogia a Brown, o ativista de direitos civis Al Sharpton exigiu uma investigação justa e imparcial sobre o tiroteio que matou o rapaz e pediu o fim da brutalidade policial.

“Michael Brown não quer que o lembremos pelas manifestações violentas”, disse Sharpton. “Ele quer ser lembrado como uma pessoa que fez a América lidar com a questão da polícia nos Estados Unidos."

Ele também pediu que a comunidade negra parasse com os protestos violentos e os saques que deram a Ferguson uma fama negativa.

(Reportagem adicional de Adrees Latif e Carey Gillam)

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