Furacão Alex é novo golpe em operação da BP contra vazamento

O primeiro furacão desta temporada no Atlântico Norte está afetando a operação de combate ao vazamento de petróleo no Golfo do México, levando a empresa BP a adiar seus planos para aumentar a quantidade de óleo recolhido, e ameaçando jogar mais água contaminada na costa sul dos EUA.

KRISTEN HAYS, REUTERS

30 de junho de 2010 | 21h08

O vazamento chegou ao seu 72o dia, e o impacto econômico e ambiental ainda não está totalmente claro, o que torna duvidoso também o futuro da própria BP.

A população litorânea se prepara para as chuvas e inundações trazidas pelo Alex, que na terça-feira passou de tempestade tropical a furacão. O sistema deve chegar na noite de quarta-feira à região da fronteira México-Texas.

A previsão de vento forte, chuvas torrenciais e ondas de até 4 metros levou a BP a paralisar a queima controlada do petróleo recolhido, os voos que lançam dispersantes químicos e a instalação de barreiras no mar.

O Departamento de Estado dos EUA disse que irá aceitar ofertas de ajuda de dezenas de países e agências internacionais para participar da tarefa de contenção e limpeza do vazamento.

Embora o furacão não tenha como atingir diretamente as plataformas petrolíferas no Golfo do México, ele levou várias empresas do setor a paralisarem suas atividades por precaução. Cerca de um quarto da produção de petróleo e 9,4 por cento da produção de gás natural no Golfo do México foram paralisados, segundo autoridades dos EUA.

Mas, a 80 quilômetros da costa da Louisiana, a BP continua recolhendo o óleo que jorra e guardando-o em barcos, além de escavar dois poços auxiliares que, quando estiverem prontos, em agosto, devem permitir que o vazamento seja sanado.

O governo dos EUA estima que 4,2 a 7,2 milhões de litros de petróleo estejam vazando por dia. A BP tem capacidade para recolher 3,3 milhões de litros por dia, e espera elevar em breve essa capacidade para 6,3 milhões.

Desde o início do vazamento, a BP já perdeu cerca de 100 bilhões de dólares na sua capitalização, uma queda de mais de metade no valor de mercado da empresa. Mas eventualmente o mercado parece avaliar que as ações atingiram um nível tão baixo que chegam a ser atraentes como opção de investimento.

Na quarta-feira, os papéis da BP registravam alta de 6,7 por cento em Londres, negociados a 3,232 libras. Operadores dizem que a alta reflete uma suposta negociação para que a ExxonMobil adquira a BP.

Além da ExxonMobil, há rumores também de que a Royal Dutch Shell poderia comprar a BP.

Várias partes do sul da Louisiana e do Mississippi estão em estado de alerta contra inundações até a noite de quarta-feira. Nas áreas litorâneas, a maré está excepcionalmente alta.

Ao longo da costa do Mississippi, motoristas irritados tiveram de fazer desvios em algumas congestionadas ruas da orla, onde a água misturada ao óleo chegava ao pavimento.

Fortes ventos para o norte e a maré alta levaram bolas de piche e uma espuma marinha marrom para os quebra-mares que existem ao longo das principais vias litorâneas.

"Para mim já basta. Agora está chegando às ruas. Em seguida o óleo estará nas nossas casas. Fique vendo. Isso é o Katrina (devastador furacão de 2005) tudo de novo, só que pior", disse Kelly Mills, que vive na região.

(Reportagem adicional de Cyntia Barrera Diaz na Cidade do México, Ernest Scheyder em Bay Baptiste, Louisiana, Leigh Coleman em Ocean Springs, Mississippi; Joshua Schneyer e Ryan Vlastelica em Nova York)

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