Furacão Ike atinge o Texas entre esta sexta-feira e sábado

Milhares de pessoas deixam o litoral; ciclone pode ganhar força e passar pela cidade de Houston na categoria 3

Agências internacionais,

12 de setembro de 2008 | 07h43

Centenas de milhares de pessoas deixaram as áreas costeiras do Golfo do México no caminho do furacão Ike, que deve atingir o litoral do Texas entre esta sexta-feira, 12, e o sábado, ameaçando inundar cidades populosas como Houston. Ainda como ciclone de categoria 2, o Ike ainda deve ganhar força e pode chegar no continente como um perigoso furacão de categoria 3, com ventos de mais de 178 quilômetros por hora, segundo afirmou o Centro Nacional de Furacões (NHC, sigla em inglês).   A tempestade ameaça Houston, a quarta cidade mais populosa dos EUA e grande produtora da indústria do petróleo. Muitos relembraram a caótica retirada dos mais de 2 milhões de moradores da cidade em 2005, durante a passagem do furacão Rita. O Serviço Nacional de Meteorologia (NWS, na sigla em inglês) dos EUA disse que o Ike pode provocar danos semelhantes aos do Rita, o quarto mais intenso da história. Ele atingiu o continente pouco depois do Katrina, em 2005, matou mais de 100 pessoas e causou mais de US$ 10 bilhões de prejuízos. Na ocasião, as instalações petrolíferas foram obrigadas a fechar e os preços do petróleo dispararam.   Foram emitidas ordens de evacuação para alguns condados no Texas, e a inundação na zona costeira pode levar semanas para ser contida. "As pessoas que não atenderem as ordens de evacuação em residências unifamiliares de um ou dois andares encontrarão a morte certa", disse o Serviço de Meteorologia.   O furacão Ike atinge o país dez dias após o Gustav, que forçou 2 milhões de pessoas a deixar a costa da Louisiana e colocou a cidade de Nova Orleans em alerta, sob a ameaça do rompimento dos diques, como aconteceu na passagem do Katrina. A cidade, que foi 80% inundada em 2005, não parece estar na rota do Ike, mas está sob alerta de tempestade tropical por conta das fortes chuvas que atingirão a região.   Em seu último boletim, o NCH afirmou que o Ike estava a 585 quilômetros a leste-sudeste da cidade de Corpus Christi, no Texas, e a cerca de 425 quilômetros a sudeste de Galveston, também no Texas - cidade atingida em 1900 pelo pior furacão da história do país.   Durante quase 48 horas, o ciclone atravessou a ilha cubana de leste a oeste com chuvas torrenciais e ventos que mataram pelo menos quatro pessoas e provocaram extensos danos materiais. Esta é a primeira vez em anos que um furacão causa mortes na ilha. O NHC acredita que o Ike voltará a ser um furacão de grande intensidade conforme atravessar as águas quentes do Golfo, possivelmente de categoria 3 ou 4 na escala Saffir-Simpson - que vai até 5 - antes de atingir a costa do Texas.   O ciclone deixou ainda pelo menos 66 mortos durante a passagem pelo Haiti, e em Cuba obrigou a retirada de mais de um milhão de pessoas de áreas de risco, 10% dos 11,2 milhões de habitantes da ilha, segundo fontes oficiais. A capital, Havana, está sem eletricidade desde segunda-feira por conta dos cortes preventivos de energia, além de ter sofrido vários deslizamentos de terra.   A atual temporada de furacões do Atlântico, entre 1 de junho e 30 de novembro, já formou cinco ciclones. Os meteorologistas adiantaram que este seria um período muito ativo, com a possibilidade da formação de 14 a 18 tempestades tropicais, dentre as quais de sete a dez poderiam se transformar em furacões.

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