Furacão Sandy já afeta viagens e frete, mas custos são desconhecidos

O transporte parou nesta segunda-feira na costa nordeste dos Estados Unidos por causa da aproximação do furacão Sandy, afetando viagens ferroviárias, navais e aéreas até na Europa e Ásia, enquanto o tráfego de cargas também foi prejudicado, acrescentando uma nova dimensão ao custo econômico do fenômeno natural.

Reuters

29 de outubro de 2012 | 18h46

A rodovia Garden State Parkway, de Nova Jersey, uma das mais movimentadas estradas pedagiadas do país, ficou fechada nesta segunda-feira em ambos os sentidos nos seus 100 quilômetros mais ao sul por causa de inundações.

Em Nova York e Nova Jersey, o embarque e desembarque de contêineres foram interrompidos no começo da manhã, sem prazo para ser retomado, segundo a autoridade portuária. Mercadorias no valor de milhões de dólares estão paradas nas docas.

O custo para o frete provavelmente não será elevado, segundo o diretor-gerente de pesquisas em ações na consultoria Raymond James, Arthur Hatfield, em Memphis, no Tennessee. É que, apesar dos atrasos, a carga acaba sendo entregue. "Nada desaparece", disse ele.

"A única vez que vimos uma tempestade ter impacto duradouro ou imediato sobre a logística e/ou os volumes de frete foi no Katrina", acrescentou ele. Sandy é um furacão da categoria 1, enquanto o Katrina, que devastou Nova Orleans em 2005, estava na categoria 5, a maior da escala Saffir-Simpson.

Algumas transportadoras prometem continuar trabalhando onde for possível. "Vamos fazer operações enquanto conseguirmos, no que diz respeito a recolhimento e entrega", disse um porta-voz da FedEx. "Se pudermos nos deslocar com segurança, iremos."

A UPS começou no fim de semana a redirecionar encomendas e aviões. Nesta segunda-feira, a empresa suspendeu entregas em Delaware, Maryland e Washington, mas mobilizou caminhões em outras áreas ameaças pelo furacão, inclusive Manhattan.

Companhias aéreas cancelaram mais de 11.500 voos no domingo, segunda e terça-feira, sendo 6.800 só nesta segunda-feira, segundo a empresa FlightAware, que monitora voos.

A tempestade deve chegar à costa leste ainda nesta segunda-feira, e a FlightAware prevê transtornos ainda maiores. Até agora, o aeroporto de Filadélfia foi o mais afetado, com 1.220 cancelamentos durante o dia. Em Nova York, cada um dos três aeroportos metropolitanos cancelou cerca de 1.000 voos.

Em Nova York e Washington, no entanto, os aeroportos continuam abertos, apesar dos cancelamentos.

O consultor de transportes George Hamlin estimou prejuízos de centenas de milhões de dólares para as empresas aéreas por causa da perda de faturamento em voos realizados e do pagamento de horas extras para tripulantes que fiquem retidos longe de suas bases.

O metrô de Nova York está paralisado, e alguns trens regionais também tiveram seu serviço suspenso.

A empresa de cruzeiros Carnival Corp cancelou duas partidas, uma de Chesapeake Bay e a outra de Norfolk, na Virgínia. Outros navios tiveram horários alterados.

Centrais de reservas dos hotéis tiveram grande movimento, seja por causa de cancelamentos ou de pessoas procurando acomodação depois de ficarem retidas no nordeste dos Estados Unidos.

(Reportagem de Karen Jacobs, Lynn Adler e Nick Zieminski)

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