Gates ameaça cortes se orçamento de guerra não for aprovado

Secretário diz que só tem capacidade para manobrar US$ 3,7 bi - suficiente apenas para despesas de 1 semana

Efe,

15 de novembro de 2007 | 21h04

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, anunciou nesta quinta-feira, 15, que ordenará que o Exército e a Marinha desenvolvam planos de corte de até 200 mil postos de trabalho se o Congresso não aprovar o projeto de lei para financiar as guerras do Iraque e do Afeganistão. Em declarações aos jornalistas no Pentágono, Gates disse que não tem nem o dinheiro nem a flexibilidade suficiente para redirecionar fundos de outros setores e que cubram de forma adequada os custos das operações militares no Iraque e no Afeganistão. "Há uma percepção equivocada de que este Departamento pode continuar financiando nossas tropas por tempo indefinido através de manobras financeiras e que podemos transferir o dinheiro de um lugar a outro, isto não é assim", declarou. O secretário de Defesa acrescentou que só tem capacidade para manobrar US$ 3,7 bilhões, que na sua opinião, são suficientes apenas para as despesas de uma semana. Assim, segundo Gates, será obrigado a interromper operações em bases do Exército para meados de fevereiro, cortar 100 mil postos de trabalho no Departamento de Defesa e o mesmo número de contratados civis caso democratas e republicanos não aprovem um projeto de lei. Um mês depois seria necessário tomar uma medida similar que atinja o Corpo de Fuzileiros Navais, declarou Gates. Na última quarta, a Câmara de Representantes dos Estados Unidos aprovou a alocação de US$ 50 bilhões para a Guerra do Iraque em um projeto que inclui o início da retirada militar deste país e que o presidente americano, George W. Bush, prometeu vetar. A iniciativa, aprovada por 218 votos a favor e 203 contra, estabelece que nos próximos meses terá início o retorno das tropas com o intuito de acabar com as atividades de combate no Iraque em dezembro de 2008. Fontes legislativas disseram que é pouco provável que a medida seja aprovada pelo Senado e que se isto chegar a ocorrer o projeto será vetado por Bush. Nesta quinta, a porta-voz democrata na Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, e o líder democrata no Senado, Harry Reid, disseram que se o Congresso é incapaz de aprovar uma medida ligada a uma retirada de tropas, deixará o assunto para as sessões do ano que vem.

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