Gates diz que relatórios sobre Guantánamo prejudicaram EUA

Secretário de Defesa se recusa a comentar decisão da Suprema Corte que garantiu direitos civis aos presos

Efe,

13 de junho de 2008 | 13h38

O secretário de Defesa americano, Robert Gates, admitiu nesta sexta-feira, 13, que os relatórios sobre abusos na prisão de Guantánamo, "sem dúvida, foram um golpe que deixou em má situação os Estados Unidos". Entretanto, ele não quis comentar a decisão da Suprema Corte que reconhece o direito dos detidos de ir aos tribunais federais, onde um juiz avaliará as razões para seu encarceramento.   Veja também:   Para EUA, decisão sobre presos não afeta julgamentos   Na sede da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em Bruxelas, onde participou do Conselho de Ministros da Defesa aliados, Gates preferiu esperar a chegada dos relatórios mais detalhados a Washington sobre a decisão da corte americana, um grande revés para o Governo de George W. Bush. "Disse freqüentemente, como o presidente e a secretária de Estado (Condoleezza Rice), que gostaríamos de fechar Guantánamo", falou Gates, quando perguntado sobre a sentença.   A decisão abre possibilidade aos suspeitos dos atentados de 11 de setembro de 2001, que compareceram na semana passada pela primeira vez a um dos tribunais especiais antiterroristas criados em Guantánamo. A sentença provavelmente provocará uma série de recursos nas Cortes Federais americanas e reativará alguns processos que juízes de menor categoria tinham paralisado, pendentes da decisão do Supremo.   Desde que 20 detidos chegaram, em janeiro de 2002, pela primeira vez às celas que inicialmente foram usadas para alojá-los em Guantánamo, a Corte Suprema se tornou o principal obstáculo à pretensão do governo de reter suspeitos de terrorismo de forma indefinida e sem dar explicações. Mais de dois terços dos que passaram por esta prisão foram postos em condições desumanas, segundo um relatório publicado pela Human Rights Watch, o último a denunciar as condições nas quais se encontram 270 detidos.

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