Gates rejeita a redução da permanência de tropas no Iraque

Secretário de Defesa americano descarta proposta democrata e alega que medida colocaria soldados em risco

Efe,

16 de setembro de 2007 | 17h42

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, rejeitou neste domingo, 16, o projeto democrata de reduzir obrigatoriamente o tempo que uma unidade militar passa no Iraque e afirmou que recomendará o uso do veto ao presidente americano, George W. Bush. "Caso seja aplicado, teríamos problemas muito difíceis para tramitar nossas forças e de fato acho que afetaria a efetividade no combate e talvez colocaria nossas tropas em risco maior", declarou Gates em entrevista ao canal Fox News. Na prática, uma diminuição da estada na região de conflito forçaria o Pentágono a reduzir com mais rapidez o contingente, já que as forças armadas, também presentes no Afeganistão, não possuem um efetivo adicional. Atualmente, os soldados americanos do Exército passam 15 meses no Iraque e um ano nas bases nos EUA. Os militares da Guarda Nacional e da reserva ficam um ano fora do país. Projeto republicano O projeto do senador democrata Jim Webb, um ex-militar da Marinha, pode ser discutido esta semana no Senado. Para evitar possíveis adiamentos dos republicanos, o plano precisa de 60 dos 100 votos. A medida já foi apresentada no Senado em julho e recebeu 56 votos, mas os democratas acham que poderão convencer outros quatrorepublicanos a votar a favor do projeto. No entanto, será mais difícil invalidar um possível veto presidencial, já que para isso precisariam de 67 senadores. Os republicanos contrários afirmam que o projeto é uma tática encoberta para obrigar Bush a mudar a política no Iraque. Já os democratas alegam que a medida é uma forma de reduzir a pressão extraordinária que o Pentágono colocou sobre os soldados. "Estamos rompendo as forças armadas, simplesmente isso", disse ao canal Fox News o senador Joseph Biden, presidente do Comitê de Relações Exteriores e pré-candidato democrata à Presidência. "As conseqüências a longo prazo de manter esses desdobramentos são absolutamente desastrosas para os Estados Unidos da América e para as forças armadas", acrescentou. Gates disse que o projeto de lei de Webb não traria "nenhuma flexibilidade" ao Pentágono, que seria obrigado a mobilizar mais forças da Guarda Nacional e da reserva. "Teríamos buracos nas operações de combate, onde uma unidade sairia (do Iraque) antes que a substituta chegasse", declarou Gates em outra entrevista no canal ABC. O senador republicano John Cornyn disse à rede CNN que a proposta "deixaria os comandantes de mãos atadas". No entanto, ele reconheceu ter preocupação pelos longos períodos que os soldados ficam fora do país. Os comentários de Cornyn refletem o pensamento de alguns republicanos, num momento em que as famílias dos soldados sofrem com o perigo e o longo tempo que passam em regiões de conflito. No discurso, Gates afirmou que as tropas americanas provavelmente terão que permanecer no Iraque "por um período prolongado de tempo, como uma força de estabilização, que seria uma pequena parte do tamanho da que há agora". As tropas protegem a fronteira, combatem a Al-Qaeda e equipam os militares iraquianos, segundo Gates. O secretário não quis calcular o tamanho do contingente, nem quanto tempo pode permanecer no país. Na sexta-feira, Gates afirmou que espera que as condições no Iraque melhorem o suficiente para permitir que no final de 2008 haja 100 mil soldados americanos no país, menos que os atuais 168 mil.   No entanto, ele declarou neste domingo que isso depende muito do que ocorrerá no local. "Caso continuemos coma saída das tropas, será porque continuou a melhora substancial da situação no Iraque", disse.

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