General dos EUA diz que não pode descartar maior participação terrestre no Iraque

A maior autoridade militar dos Estados Unidos levantou nesta terça-feira a possibilidade de tropas norte-americanas precisarem assumir um papel mais amplo por terra na luta contra os militantes do Estado Islâmico no Iraque, mas a Casa Branca ressaltou que não haveria missões de combate para forças terrestres dos EUA. 

PHIL STEWART, REUTERS

16 de setembro de 2014 | 19h31

O general Martin Dempsey, chefe do Estado Maior das Forças Armadas dos EUA, disse que não havia intenção de colocar consultores militares norte-americanos em combate. O plano dos EUA se apoia em outras contribuições, incluindo ataques aéreos. 

Ainda assim, ele disse em audiência no Senado: "Eu mencionei, no entanto, que se eu achasse que a circunstância demandasse, eu mudaria, é claro, minha recomendação". 

Dempsey contemplou cenários nos quais uma maior participação poderia ser viável, incluindo juntar as forças dos Estados Unidos com os iraquianos durante uma ofensiva complicada, como numa eventual batalha para retomar a cidade de Mosul, no norte do Iraque, dos combatentes do Estado Islâmico. 

"Poderia muito bem ser parte daquela missão particular para disponibilizar orientações de combate ou acompanhamento naquela missão", disse. "Mas para as atividades diárias isso eu acredito que vai evoluir com o tempo, eu não vejo necessidade agora". 

O presidente norte-americano, Barack Obama, disse na semana passada que vai liderar uma aliança para derrotar os militantes do Estado Islâmico no Iraque e na Síria, mergulhando os Estados Unidos em um conflito no qual quase todos os países do Oriente Médio têm alguma participação. 

Obama descartou a possibilidade de uma missão de combate que pudesse levar os EUA a uma nova guerra terrestre no Iraque. 

Respondendo sobre os comentários de Dempsey, a Casa Branca disse que os conselheiros militares de Obama tinham de se planejar para muitas possibilidades e que a política geral não tinha mudado: Obama não deslocaria tropas norte-americanas para missões de combate no Iraque ou na Síria. 

O porta-voz da Casa Branca Josh Earnest disse a jornalistas que Dempsey estava "se referindo a um cenário hipotético no qual possa haver uma situação futura onde ele faça uma recomendação tática ao presidente em relação a tropas terrestres". 

Dempsey estava se pronunciando diante do Comitê de Serviços Armados do Senado, ao lado do secretário de Defesa norte-americano Chuck Hagel, enquanto o governo de Obama faz sua apresentação ao Congresso do plano para ampliar as operações militares contra os militantes sunitas, incluindo ataques aéreos na Síria pela primeira vez. 

SÍRIA

Hagel disse que o plano militar será apresentado a Obama na quarta-feira pelo Comando Central dos EUA, que propõe ataques aos redutos mais seguros do grupo militante para comprometer as capacidades de infraestrutura, logística e capacidades de comando. 

Dempsey disse que os ataques aéreos afetariam as capacidades do grupo enquanto esforços mais amplos são desenvolvidos, incluindo o treinamento de 5400 combatentes sírios na Arábia Saudita. 

O Congresso deve aprovar nesta semana um pedido de Obama por 500 milhões de dólares para armar e treinar rebeldes sírios moderados, uma das partes de seu programa. 

"Isso não será como uma campanha de "choque e espanto" porque simplesmente não é o jeito que o Estado Islâmico se organiza. Mas será uma campanha persistente e sustentável", disse Dempsey ao comitê do Senado. 

"Choque e espanto" era um termo popularmente utilizado para descrever os primeiros ataques aéreos a Bagdá na campanha norte-americana para derrubar Saddam Hussein em 2003, e se refere ao uso exagerado da força para minar a vontade do inimigo de lutar. 

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