General McChrystal critica gestão e funcionários de Obama em revista

Chefe das tropas dos EUA no Afeganistão foi convocado pela Casa Branca a dar esclarecimentos

estadão.com.br

22 de junho de 2010 | 09h39

McChrystal pediu desculpas pelas declarações contra o governo.

 

WASHINGTON - Um oficial do governo dos EUA disse nesta terça-feira, 22, que o general Stanley McChrystal foi convocado por Washington para se encontrar com o presidente Barack Obama na Casa Branca na quarta-feira "para explicar ao Pentágono e ao comandante em chefe suas citações no artigo", da edição de 8 a 22 de julho da revista americana Rolling Stone. As informações são do jornal New York Times.

 

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O artigo faz um perfil do general e sua equipe e os cita como críticos contundentes de funcionários da gestão de Obama, do embaixador dos EUA no Afeganistão e de autoridades europeias. O governo estabelece que McChrystal deve realizar uma teleconferência por mês com a Casa Branca, disse a fonte. Desta vez, porém, ele recebeu ordens retornar para Washington devido ao artigo.

 

O texto da Rolling Stone mostra o general e seus assistentes dirigindo duras críticas contra o vice-presidente, Joe Biden; o embaixador americano no Afeganistão, Karl Eikenberry; o enviado especial dos EUA ao Afeganistão e ao Paquistão, Richard Holbrooke; e contra um ministro francês não identificado. Um dos assessores de McChrystal foi citado referindo-se ao conselheiro de segurança nacional, James L. Jones, como um "palhaço".

 

Um dos assessores que deu entrevistas à Rolling Stone junto o general, Duncan Boothby, renunciou momentos após o artigo virar assunto na mídia, segundo informações de um oficial americano no Afeganistão. Segundo a fonte, Boothby é um civil, não tem patente militar e era contratado para trabalhar na seção de Relações Públicas das tropas americanas.

 

Um alto oficial da administração americana disse que Obama ficou furioso com o artigo, particularmente com a sugestão de que ele não estava interessado e preparado para discutir a guerra depois de ter assumido o posto. O oficial disse que Biden, que também foi criticado, participará da reunião na quarta com o presidente.

 

O artigo cita assessores dizendo que McChrystal estava "muito desapontado" por uma reunião no Salão Oval com Obama, e que ele achou o presidente "desconfortável e intimidado" durante uma reunião com o Pentágono e outros generais.

 

O texto não mostra nenhuma diferença política séria com Obama, que escolheu o general McChrystal para comandar um grande envio de tropas e material, com esperança de reverter a situação que se encontra deteriorada no país. Ainda assim, a revista parece destinada a levantar questões sobre o julgamento de McChrystal, e acender o debate sobre a sabedoria da estratégia de Obama, em um momento em que a violência no país está crescendo rapidamente.

 

Em um comunicado, McChrystal se desculpou por suas observações."Eu estendo as minhas mais sinceras desculpas por esse perfil", ele disse. "Foi um erro refletindo pouco julgamento e nunca deveria ter acontecido. Durante minha carreira, eu vivi pelos princípios da honra pessoal e integridade profissional. O que está refletido neste artigo está longe desses parâmetros" continuou.

 

McChrystal encerra o comunicado mostrando seu apreço à administração e se retratando pelo erro. "Eu tenho um grande respeito e admiração pelo presidente Obama e sua equipe de segurança nacional, e pelos líderes civis e tropas que lutam nesta guerra e eu continuo compromissado com seu sucesso".

 

McChrystal está a cargo das operações dos EUA no Afeganistão desde junho de 2009, quando foi promovido à patente de general. Atualmente, mais de 140 mil soldados estão sob seu comando, já que as tropas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) também respondem às suas ordens.

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