Geórgia acusa Rússia de violar cessar-fogo

A Geórgia acusou na quarta-feira aRússia de violar a trégua no conflito em torno da Ossétia doSul. Moscou nega os ataques, mas o caos vigora ao redor de umaindefesa cidade georgiana a oeste da capital, Tbilisi. O governo pró-ocidental da Geórgia recebeu novasmanifestações de apoio por parte do presidente dos EUA, GeorgeW. Bush, que prometeu ajuda humanitária em aviões militares. Ele e a secretária de Estado Condoleezza Rice, que seprepara para ir a Tbilisi, alertaram a Rússia a respeitar ostermos da trégua mediada na véspera pela França. Moscou anunciou na terça-feira a suspensão da operaçãomilitar iniciada depois que a Geórgia enviou tropas para tentarrecuperar o controle da Ossétia do Sul, uma repúblicaseparatista que desde o início da década de 1990 goza deautonomia sob a proteção russa. "A Rússia precisa manter sua palavra e agir para encerrar acrise", disse Bush, enquanto Rice alertou que eventuaisviolações da trégua "só servirão para aprofundar o isolamentopara o qual a Rússia está se movendo". O presidente da Geórgia, Mikheil Saakashvili, disse queapesar da trégua as forças russas continuaram avançando em seupaís e saquearam a cidade de Gori, 60 quilômetros a leste deTbilisi. A Rússia nega as acusações. Em conversa com Rice, ochanceler Sergei Lavrov disse que as forças russas agirão comdureza para evitar saques cometidos por milícias irregulares. "Eu disse desde o princípio que, se tais fatos se provaremverdade, vamos reagir da forma mais séria. A população pacíficadeve ser protegida. Estamos investigando todos esses relatos enão vamos tolerar tais ações", afirmou ele. A França disse que o presidente Nicolas Sarkozy, mediadorda trégua, manifestou sua preocupação com o cumprimento docessar-fogo e "recebeu garantias do presidente [Dmitry]Medvedev de que a Rússia mantém seus compromissos". Testemunhas viram tanques e blindados russos saindo de Goripela estrada que leva à capital. A cúpula militar russa disseque o objetivo era destruir um paiol abandonado de munições,mas que não havia intenção de avançar sobre a capital. Fotógrafos ao sul de Gori viram tropas irregulares emveículos blindados entre o tráfego. A maioria não usavaidentificação, embora um soldado portasse a bandeirasul-ossétia no braço. A ONG norte-americana Human Rights Watch, que temfuncionários na Geórgia, disse ter testemunhado saques emaldeias etnicamente georgianas da Ossétia do Sul. "Eles levavamitens domésticos, carregavam aquecedores elétricos, bicicletas,tapetes", relatou à Reuters Anna Neistat, falando por telefonede Tskhinvali, a capital da região separatista. (Reportagem adicional de Sue Pleming em Washington; PaulTaylor em Bruxelas; Dmitry Solovyov em Vladikavkaz; JamesKilner em Tbilisi, e Oleg Shchedrov em Moscou)

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