Geórgia declara estado de emergência após tentativa de golpe

O presidente da Geórgia, MikhailSaakashvili, declarou nesta quarta-feira estado de emergênciana capital do país, Tbilisi, depois de a polícia travarconfrontos com manifestantes e de o primeiro-ministro dizer quehouve uma tentativa de golpe. "O presidente declarou estado de emergência em Tbilisi eesta decisão será submetida ao Parlamento dentro de 48 horas",disse o primeiro-ministro Zurab Nogaideli pela TV. "Houve umatentativa de golpe e de criar a desordem." Tropas de choque agrediram manifestantes desarmados comcassetetes e chutes, usando também gás lacrimogêneo e balas deborracha para desocupar as ruas, segundo repórteres presentes. Forças especiais invadiram uma emissora de TV, eSaakashvili culpou a Rússia pela crise no país, umaex-república soviética hoje aliada dos EUA. O presidente anunciou a expulsão de três diplomatas russose a retirada do embaixador georgiano em Moscou, pois segundoele há provas de envolvimento dos serviços russos deinteligência nos protestos iniciados há seis dias. "Não podemos permitir que nosso país se torne palco desujas aventuras geopolíticas por parte de outros países",afirmou pela TV. "Nossa democracia precisa de uma mão firme dasautoridades." Logo em seguida, a TV Imedi, a principal do país, disseestar sendo invadida por forças especiais e saiu do ar. O canalvinha dando ampla cobertura aos protestos. Testemunhas disseram que policiais armados mandaram que osempregados da emissora se deitassem no chão e colocaram armasna cabeça deles, além de destruírem equipamentos e celulares. Saakashvili vinha promovendo seu país como um exemplo dedemocracia e respeito aos direitos humanos na volátil região doCáucaso, onde vários países são governados por líderesautoritários. O ouvidor de direitos humanos da Geórgia, Sozar Subari,disse a jornalistas que ele também foi agredido por policiais."Embora eu tenha dito a eles que sou um defensor dos direitoshumanos, eles me disseram: 'Exatamente por isso estamos batendotão duro"', afirmou. O patriarca ortodoxo Ilia 2o qualificou a repressão àsmanifestações como "completamente inaceitável" e cobrounegociações. Saakashvili rejeita o apelo dos manifestantes por eleiçõesparlamentares antecipadas, mas o uso da força contra osmanifestantes acirrou ainda mais os ânimos na volátilex-república soviética.

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