Geórgia deixa aliança de ex-repúblicas soviéticas

Protesto em Tbilisi reune mais de 150 mil pessoas em apoio ao governo e critica o premiê russo, Vladimir Putin

Agências internacionais,

12 de agosto de 2008 | 10h04

Diante de pelo menos 150 mil manifestantes a favor do governo, o presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, anunciou que o país sairá da Comunidade dos Estados Independentes (CEI), que reúne todos os Estados da ex-União Soviética.   Veja também: Ataques russos seguem apesar de ordem para trégua Rússia encerra ação na Geórgia; França pressiona por trégua Refugiados chegam a 100 mil, diz ONU Ouça o relato de Lourival Sant'Anna  Roberto Godoy e Cristiano Dias comentam o conflito  Imagens feitas direto da capital da Geórgia  Entenda o conflito separatista na Geórgia   A população se reuniu diante do Parlamento georgiano em um ato para exigir o fim da agressão da Rússia contra a Geórgia. Manifestantes exibiam imagens de Putin, o ex-presidente e atual primeiro-ministro russo, como terrorista, e como "procurado por crimes contra a humanidade no mundo". "Não nos colocarão de joelhos" e "a nação georgiana não conhece o medo" são algumas das palavras de ordem dos participantes da manifestação.   Saakashvili pediu apoio internacional em sua campanha contra a incursão russa em seu território, depois que a Geórgia tentou retomar a Ossétia do Sul, região montanhosa fora do controle governamental há mais de uma década. Durante seu discurso, Saakashvili não fez nenhuma menção ao anúncio do presidente russo, Dmitri Medvedev, de colocar fim às ações militares na Geórgia. "A luta continua, e a Geórgia e a liberdade vencerão", concluiu o presidente georgiano, e depois dessas palavras os manifestantes cantaram o hino nacional georgiano.   A CEI reúne a Rússia e outras onze repúblicas da extinta União Soviética, incluindo a Geórgia, desde 1994. "A Geórgia é o brilhante mais prezado da coroa do império russo. Se cairmos, haverá problemas para todo o mundo civilizado. Estamos na primeira linha. Depois de nós, cairão a Ucrânia e os países bálticos", disse Saakashvili.   O presidente georgiano acrescentou que a Rússia enviou 1.200 carros de combate contra a Geórgia, "mais do que a Afeganistão, Hungria e Tchecoslováquia". O líder georgiano afirmou que o que está ocorrendo entre a Geórgia e a Rússia é como o que ocorreu "entre Davi e Golias" e acrescentou: "Davi vencerá". "Enquanto estou falando, continua a aniquilação dos meus concidadãos pelos ocupantes russos. Estou em uma situação difícil", disse.   "O que querem os russos em Tskhinvali (capital da Ossétia do Sul)? Arrasaram o lugar. Depois dos mongóis, eles não aprenderam nada. Não têm um grama de civilização. Não querem a liberdade da Geórgia. Querem esmagá-la", afirmou. "Em Kekhvi e em Tamarasheni (aldeias georgianas na Ossétia do Sul), os russos, por ordem de (Vladimir) Putin, estão criando campos de concentração. Estão criando uma nova Srebrenica", denunciou.   O líder georgiano também disse que "Tskhinvali repete a sorte de Grozni (capital chechena)". Saakashvili disse que, em Moscou, afirmam que no Exército georgiano há "americanos e ucranianos". "Digo que não. Em nosso Exército há abkhazes, ossetas, ucranianos, russos étnicos. Eles defendiam sua pátria", afirmou.    

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