Geórgia encerra motim em quartel; presidente acusa a Rússia

A Geórgia enviou tanques na terça-feira para debelar uma rebelião em um quartel nos arredores da capital Tbilisi, e o governo acusou a Rússia de financiar um golpe, acusação que Moscou rejeitou.

NIKO MCHEDLISHVILI E MARGARITA ANTIDZE, REUTERS

05 de maio de 2009 | 10h41

O presidente georgiano, Mikheil Saakashvili, qualificou a rebelião de "ameaça séria", mas disse que os responsáveis estavam isolados.

Cerca de 45 minutos depois, o ministro do Interior, Vano Merabishvili, disse à Reuters por telefone do quartel Mukhrovani que a rebelião esteava encerrada e que o comandante da base havia sido preso.

Saakashvili acusou os amotinados de ligações com Moscou e exigiu que a Rússia "evite provocações". No ano passado, a Geórgia perdeu uma breve guerra contra a Rússia pelo controle das regiões rebeldes da Abkházia e Ossétia do Sul.

O embaixador da Rússia junto à Otan, Dmitry Rogozin, disse que Saakashvili está tentando culpar Moscou por seus próprios problemas domésticos -- a oposição vem exigindo sua renúncia.

A polícia impediu os jornalistas de se aproximarem da base amotinada, onde há centenas de soldados -- não está claro quantos deles participaram da rebelião.

A agência russa de notícias Interfax havia divulgado uma declaração do comandante da base, Mamuka Gorgishvili, em que ele criticava o governo, mas prometia não usar a força.

"Não se pode olhar calmamente o processo do país se esfacelando, o confronto em andamento. Mas nossa unidade de tanques não irá recorrer a quaisquer ações agressivas", afirmou o militar.

Um repórter da Reuters viu cerca de 30 tanques e blindados na estrada que dá acesso ao quartel.

Analistas militares em Tbilisi disseram que a rebelião pode ter sido causada pela recusa de alguns oficiais em cumprirem as ordens do governo para dissolver bloqueios rodoviários da oposição.

O ministro da Defesa, David Sikharulidze, disse que os rebeldes queriam prejudicar exercícios da Otan a serem realizados a partir desta semana na Geórgia, e que foram criticados pela Rússia.

"O principal objetivo dessa reunião era perturbar os exercícios militares da Otan", disse Sikharulidze à Reuters.

Rogozin disse que "os militares georgianos não podem receber adequadamente seus colegas (da Otan), pois estão brigando contra o seu próprio presidente".

(Reportagem adicional de Oleg Shchedrov, em Moscou)

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