Geórgia processará Rússia em Haia por limpeza étnica

Governo entra com processo na Corte Internacional de Haia; Tribunal da ONU diz que pode investigar conflito

MARGARITA ANTIDZE, REUTERS

12 de agosto de 2008 | 14h30

A Geórgia entrou com um processo contra a Rússia na Corte Internacional de Justiça por limpeza étnica, disse nesta terça-feira, 12, o secretário do Conselho de Segurança da Geórgia, Kakha Lomaia.  Separadamente, o promotor chefe do Tribunal Penal Internacional (TPI), Luis Moreno-Ocampo, afirmou que ele tem sido procurado sobre o conflito na região separatista de Ossétia do Sul na Geórgia e pode lançar uma investigação preliminar.   Veja também: Presidente russo anuncia retirada de tropas da Geórgia Refugiados chegam a 100 mil, diz ONU Polônia cede site à Geórgia após bloqueio russo Geórgia deixa aliança de ex-repúblicas soviéticas Ouça o relato de Lourival Sant'Anna  Roberto Godoy e Cristiano Dias comentam conflito  Imagens feitas direto da capital da Geórgia  Entenda o conflito separatista na Geórgia A Corte Internacional de Justiça regula os conflitos entre nações enquanto que o Tribunal Penal Internacional (TPI) foi organizado para julgar indivíduos por crimes graves como genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra. Ambas as cortes são sediadas em Haia na Holanda. "Hoje o embaixador da Geórgia na Holanda entrou com um processo na Corte Internacional de Justiça chamado O Estado da Geórgia contra o Estado da Rússia, por conta de suposta limpeza étnica conduzida pela Rússia na Geórgia entre 1993 e 2008", disse o secretário à Reuters. O conflito teve início na última quinta-feira quando a Geórgia enviou suas tropas para retomar o controle da Ossétia do Sul, uma província pró-Rússia que rejeitou o poder georgiano nos anos 1990. Moscou respondeu enviando tropas fortemente armadas, que rapidamente superaram os soldados georgianos. A Rússia afirma que 1.600 civis da Ossétia do Sul foram mortos, enquanto que a Geórgia divulgou 200 mortes e centenas de feridos. Nenhum dos números foram confirmados independentemente. A Organização das Nações Unidos afirmou nesta terça-feira que aproximadamente 100 mil pessoas estão fugindo de suas casas.   "Nós começamos a receber notícias sobre isto", disse Moreno-Ocampo à Reuters por telefone de Haia. Questionado se iria lançar uma investigação preliminar, ele respondeu: "É possível", mas não deu mais detalhes. O TPI foi criado para julgar genocídios e outros crimes de guerra quando autoridades judiciais nacionais não consegue investigar tais crimes apropriadamente. Moreno-Ocampo causou uma discussão diplomática internacional no último mês quando pediu aos juízes da corte um mandato de prisão para o presidente do Sudão, Omar Hassan al-Bahshir pelo genocídio e crimes de guerra na região de Darfur.

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