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Gilles Lapouge: Obama reinventa laços dos EUA com Europa

Presidente americano inicia giro pelo continente nesta terça-feira com programa quase sufocante

Gilles Lapouge, O Estado de S. Paulo

31 de março de 2009 | 08h52

Com sua chegada a Londres, inicia-se nesta terça-feira, 31, o primeiro encontro entre a Europa e Barack Obama. O programa é pesado, quase sufocante. Na quarta-feira, o presidente americano estará com a rainha Elizabeth. Na quinta, assistirá à cúpula do G-20.

 

No dia 4, em Estrasburgo, França, realiza-se a cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Ali, Obama estabelecerá uma estratégia para o Afeganistão. No dia seguinte, em Praga, examinará com os 27 membros da aliança atlântica a "não proliferação" nuclear. À margem dessas cúpulas, Obama se encontrará com o presidente russo, Dmitri Medvedev. No final da visita, dedicará um espaço enorme à Turquia, onde passará duas noites, enquanto, no domingo e na segunda-feira, na Alemanha e na França, reservou apenas uma hora de encontros bilaterais.

 

O presidente Nicolas Sarkozy, que ainda não experimentou a felicidade inefável de ser convidado à Casa Branca, fez mil contorções para atrair Obama na França, entre outras coisas, para admirar as praias do desembarque aliado na Normandia, em 1944. Mas Obama não encontrou uma brecha em sua agenda lotada.

 

Será o caso de induzir uma determinada orientação no programa? Obama é um pragmático, não um ideólogo. George W. Bush, no início da guerra no Iraque em 2003, teve a ideia estúpida de colocar os "novos membros" da União Europeia, "bonzinhos e bem educados", contra os "velhos" e maus "europeus do Ocidente". Obama não comete gafes do gênero. Ele não tem um esquema preconcebido. Cada país europeu tem uma história, uma geografia e um "gênio" próprio. E exigirá a ajuda de cada um em função dessa geografia, história e "gênio".

 

Os europeus serão julgados na proporção das iniciativas que tomarão e segundo dois critérios principais: a acolhida que os europeus darão, ou não, aos presos libertados de Guantánamo e pelos esforços que cada governo consentirá em fazer para apoiar os americanos no Afeganistão.

 

Londres será solicitada em dois campos: inicialmente, sobre a crise financeira. Obama e o premiê Gordon Brown concordam com a necessidade de amplos "planos de recuperação". Além disso, os britânicos desempenham um papel crucial no Afeganistão, já que Londres já fornece o segundo maior contingente militar da coalizão.

 

Obama não poupou esforços para pacificar as relações com a Rússia. Ele quer ir mais longe nesse sentido. E está consciente de que o equilíbrio mundial exige um entendimento de confiança com Moscou.

 

Ele também sabe que a Alemanha mantém um relacionamento estratégico excelente com Moscou. Por isso, gostaria de usar a chanceler Angela Merkel como mediadora nos momentos delicados da relação entre Ocidente e Rússia. A Alemanha também é a parceira econômica mais importante do Irã na Europa. Obama dirigiu recentemente sinais de abertura para Teerã. Sem esquecer da arma das ameaças e das sanções econômicas, ele procura uma conciliação. Merkel poderia ser de grande ajuda no caso.

 

E a França? O que os EUA podem esperar dela? Muito, na medida em que Paris se purificou, graças a Sarkozy, mas principalmente graças ao fim da era Bush, do "antiamericanismo" que foi uma especialidade francesa de De Gaulle a Chirac. Reintegrada na Otan, Paris coopera na luta contra o terrorismo. A França deve aumentar (ligeiramente) sua participação na guerra do Afeganistão. E finalmente, Paris tem boas ideias a respeito do Oriente Médio ou da África.

 

Em vários pontos, Obama pretende abrandar a linha inflexível de George W. Bush. Mas só abandonará certas iniciativas agressivas dele na medida em que tiver obtido, em primeiro lugar, concessões. É o jogo adotado também com a Rússia. O Kremlin sempre criticou o escudo antimísseis que Bush planejava instalar no Leste Europeu. Ao que tudo indica, Obama deve abandonar o escudo. Mas só renunciará ao projeto se a Rússia se mostrar menos agressiva.

 

Obama não parece propenso a retomar o refrão inútil de Bush que exigia um aprofundamento da democracia na Rússia. Há um outro ponto em que Obama quebrará a tradição: ele não definiu como prioridade a extensão das estruturas euro-atlânticas ao leste. A integração da Georgia e da Ucrânia na Otan, pesadelo do Kremlin, será deixada de lado.

 

Aparentemente, Obama não tem na cabeça um esquema preestabelecido, sólido e fechado. É evidente que ele tem convicções claras, mas ainda não dispõe de um plano estabelecido para pô-las em prática. Ele cria sua ação à medida que os obstáculos se apresentam. Sua diplomacia não é fixa, é aberta: uma diplomacia em movimento.

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