Shannon Stapleton/Reuters
Shannon Stapleton/Reuters

Governador de Nova York assume compromisso para realocar centro islâmico

Complexo a ser erguido próximo ao Marco Zero causa polêmica sobre islamismo nos EUA

estadão.com.br

19 de agosto de 2010 | 11h43

NOVA YORK - O governador do Estado de Nova York, David Paterson, disse na quarta-feira, 19, que gostaria de discutir a realocação de um centro islâmico, cuja construção está projetada para um setor a apenas dois quarteirões do Marco Zero, onde ficavam as Torres Gêmeas derrubadas por ataques terroristas em 2001. As informações são do canal de notícias CNN.

 

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Durante um programa de televisão, Paterson se disse disposto a conversar com os idealizadores do projeto. "Se as pessoas trabalharem juntas, talvez podemos encontrar um local longe do Marco Zero que ainda sirva à comunidade de Manhattan. Isso seria um gesto nobre para aqueles que ainda sofrem com os ataques, e ao mesmo tempo mudaria a cabeça das pessoas sobre o islamismo, que é uma religião fortíssima e praticada por pessoas pacíficas", disse o governador.

 

 

O projeto despertou críticas dos familiares das vítimas dos atentados de 2001, realizados por fundamentalistas islâmicos. Eles consideram o local sensível para a construção do centro e acreditam que erguê-lo ali seria um ato de desrespeito.

 

O complexo de 13 andares que está sendo construído foi orçado em US$ 100 milhões. O centro terá uma mesquita, estações culturais, áreas esportivas e outros espaços públicos. Os idealizadores do projeto alegam que ele atenderia a comunidade de Manhattan e descartam levá-lo para outro lugar.

 

Paterson, porém, insiste na realocação. Ele se reuniria com os responsáveis pelo projeto na segunda, mas o encontro foi remarcado. "Esperamos conversar, mas apenas se eles quiserem. Não faremos pressão ou coerção. Só queremos tratar desse assunto", disse o governador.

 

Uma pesquisa realizada pela própria CNN aponta que 68% dos americanos desaprova a construção do centro perto do Marco Zero. "Isso me diz que as feridas do 11 de setembro ainda não foram cicatrizadas, e talvez possamos encontrar maneiras de aliviar as dores e deixar as pessoas mais confortáveis", disse Paterson.

 

Ele, porém, notou que "não há estatuto local, estadual ou federal ou qualquer cláusula na Constituição que impeça a construção do centro no local, e por isso, qualquer pessoa que se opuser ao projeto está violando uma das pedras fundamentais dos princípios da liberdade do país".

 

Arcebispo

 

O arcebispo de Nova York, Timothy Dolan, disse que ajudaria na mediação das discussões sobre a realocação do centro islâmico. Ele disse que é um "grande desejo" seu que um acordo seja fechado e que ajudará, se possível, a encontrar um novo local para construção do complexo.

 

Dolan citou um exemplo semelhante envolvendo o papa João Paulo II, quando o pontífice pediu, em 1993, que um convento católico fosse retirado de Auschwitz após protestos de grupos judeus. "Ele disse para manter a ideia, mas mudar de endereço. Funcionou lá, pode funcionar aqui", disse.

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