Governador de Nova York é flagrado em caso de prostituição

Eliot Spitzer é pego por investigações federais marcando encontro com prostituta de boate suspeita

The New York Times, Associated Press e Reuters,

10 de março de 2008 | 16h44

O governador do Estado de Nova York, o democrata Eliot Spitzer, foi flagrado por uma escuta telefônica federal marcando encontro com uma prostituta de luxo num hotel de Washington no mês passado, de acordo com o que revelou nesta segunda-feira, 10, uma fonte próxima à investigação.  VEJA TAMBÉM Outros escândalos sexuais na política americana A gravação, feita durante cerco a um esquema de prostituição na casa noturna Emperors Club VIP, pegou um homem identificado como Client 9 (cliente número 9, em português) confirmando ao telefone o plano de levar uma mulher de Nova York para Washington, onde ele havia reservado um quarto de hotel. A fonte da investigação federal revelou que a identidade do Client 9 é o governador Spitzer. O governador teria sido avisado de que estava envolvido em caso de prostituição na última sexta-feira, 7, quando oficiais do governo o teriam contatado. Ele confirmou na manhã desta segunda-feira, 10, o envolvimento e cancelou eventos públicos. Em coletiva de imprensa, Spitzer pediu desculpas à família e à população. Com a mulher ao lado, o governador de Nova York disse a repórteres que "agiu de forma a violar as obrigações com a família". "Desapontei e falhei ao romper as expectativas que colocavam sobre mim. Devo agora me dedicar a restabelecer a confiança da minha família", afirmou. Quatro pessoas foram presas na última semana ligadas ao esquema de prostituição do Emperors Club VIP. O site da casa noturna publica fotografias de mulheres com pouca roupa e rostos escondidos. De acordo com os acessos diários, o sistema do site cria um ranking de prostitutas medido por diamantes, de um a sete. As mulheres no topo do ranking custam US$ 5,5 mil (R$ 9,4 mil) por hora, afirmam promotores públicos. O esquema da casa noturna é criar conexões entre as cerca de 50 prostitutas e homens ricos de Nova York, Washington, Los Angeles, Miami, Londres e Paris. O encontro de Spitzer (Client 9) com a prostituta teria sido realizado na noite de 13 de fevereiro, uma quarta-feira. O caso está sendo investigado por promotores da Unidade contra Corrupção do escritório do procurador Michael Garcia. O porta-voz de Garcia, Yusill Scribner, afirmou que o escritório não vai comentar o assunto. As ações de seguradoras de bônus caíram por causa da notícia. Sptizer teve papel importante ao ajudar essas seguradoras a angariarem mais capital, mantendo suas boas notas de crédito. Essas seguradoras garantem que dívidas equivalentes a US$ 2,4 trilhões não entrem em inadimplência. A expectativa é que Spitzer apóie a pré-candidata Hillary Clinton na convenção que em agosto escolherá o candidato do Partido Democrata nas eleições presidenciais de novembro. Por ser governador, ele tem direito a voto, como "superdelegado".  Renúncia Pouco depois da entrevista coletiva, o líder da oposição na Assembléia do Estado de Nova York, o republicano James Tedisco, pediu que Spitzer renuncie ao cargo. Os republicanos são minoria na Assembléia. "As notícias de hoje de que Eliot Spitzer estava provavelmente envolvido com uma rede de prostituição e sua recusa em negar isso levam a uma conclusão inevitável: ele desgraçou seu cargo e todo o Estado de Nova York", disse Tedisco aos repórteres.  Perfil Eliot Spitzer, de 48 anos, construiu sua carreira política no combate à corrupção, incluindo diversas batalhas judiciais contra Wall Street na condição de promotor. Ele chegou ao governo de Nova York em 2006 com votação histórica, prometendo continuar sua realista missão de consertar um dos piores governos dos Estados Unidos. A revista Time chegou a chamá-lo de "Crusader of the Year" (algo como Guerreiro do Ano, em português) quando era promotor do Estado. Apesar da popularidade inicial, o mandato de Spitzer vem sendo marcado por diversos problemas, como um impopular plano de conceder licença para dirigir a imigrantes ilegais. Sua atuação como promotor público inclui o desbaratamento de esquemas de prostituição e turismo sexual. Em 2004, ele participou de investigação em Nova York que terminou com  prisão de 18 pessoas ligadas à promoção da prostituição e crimes relacionados. Spitzer é casado com Silda Wall Spitzer desde 1987, e tem três filhas com ela.

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