John Minchillo/AP
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Governador de Nova York sanciona lei que permite casamento gay

Estado norte-americano é que oferece mais direitos legais aos homossexuais no país

Denise Chrispim Marin, Correspondente / Washington

25 de junho de 2011 | 12h03

Ao final de uma verdadeira batalha no seu Legislativo, o Estado de Nova York adotou ontem a lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo. O projeto foi aprovado na noite de sexta-feira no Senado estadual por 33 votos contra 29, graças à adesão de quatro legisladores republicanos, antes contrários à medida. A bancada democrata votou coesa em favor da lei, sancionada ontem pelo novo "campeão" dessa causa, o governador Andrew Cuomo.

"Estou muito orgulhoso de Nova York e da mensagem que demos para toda a Nação", afirmou Cuomo na noite de sexta-feira. "Essa decisão vai, certamente, repercutir em todo o país. Esta é uma noite histórica para o amor e para nossas famílias e uma vitória para a democracia", declarou o director-executivo da Empire State Pride Agenda, organização em defesa dos direitos de gays, lésbicas, transexuais e bissexuais.

Nova York tornou-se o Estado americano a oferecer os mais amplos direitos legais aos homossexuais. Nos EUA, apenas cinco Estados - Connecticut, Iowa, Massachusetts, New Hampshire e Vermont - e a capital federal permitem o casamento gay. Boa parte dos Estados aprovou nos últimos anos legislações opostas, para proibir as uniões entre homossexuais. A vitória da maior causa homossexual em Nova York deverá ser comemorada também na maior Parada do Orgulho LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais) do Brasil, marcada para este domingo em São Paulo.

A nova lei do Estado de Nova York entrará em vigor em 30 dias. Há dois anos, as organizações em favor dos direitos dos homossexuais sofreram uma dura derrota na tramitação do mesmo projeto, apesar da maioria democrata no Senado estadual naquela época. Desta vez, a aprovação se deu em uma Casa dominada pelos republicanos, sempre mais conservadores, e principalmente por causa dos esforços do governador Cuomo, que fez desse tema a prioridade de seu primeiro ano de mandato.

Durante a votação final, na noite de sexta-feira, as galerias do Senado estavam lotadas por defensores da aprovação e da rejeição do projeto. O único senador a discursar contra o projeto foi Rubén Díaz, eleito pela comunidade latino-americana do bairro do Bronx. "Foi Deus, e não Nova York, quem impôs a definição do casamento há muito tempo", argumentou. Um dos quatro senadores republicanos a mudar de posição, Mark Grisant, da cidade de Buffalo, pediu desculpas aos eleitores ofendidos por seu voto. "Eu não posso negar a uma pessoa, a um ser humano, a um contribuinte, a um trabalhador, ao povo do meu distrito e deste Estado de Nova York o mesmo direito que eu tenho com a minha mulher", declarou.

Por meio de comunicado, os bispos católicos de Nova York afirmaram que a nova lei altera "radicalmente e para sempre a histórica compreensão da humanidade sobre o casamento". "Nós sempre tratamos os nossos irmãos e irmãs homossexuais com respeito, dignidade e amor", informou o texto. "N'os nos preocupamos que tanto a família quando o casamento possam ser solapados por essa trágica presunção do governo ao aprovar uma legislação que redefine este pilar da civilização."

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