Governador de Porto Rico é acusado de 19 crimes

Justiça afirma que Aníbal Acevedo Vila conspirou para levantar dinheiro ilegal para saldar dívidas de campanha

Agência Estado e Associated Press,

27 de março de 2008 | 14h47

O governador de Porto Rico, Aníbal Acevedo Vila, foi acusado nesta quinta-feira, 27, por 19 crimes, inclusive violação das leis federais de campanha dos Estados Unidos. Entre as acusações constam também conspiração para fraudar a Receita Federal dos EUA e falso testemunho ao FBI. Outras 12 membros do Partido Popular Democrático, de Vila, foram acusados. A iniciativa ocorre após dois anos de investigação, segundo a procuradora federal Rosa Emilia Rodríguez. Os acusados em Porto Rico, em Washington e na Filadélfia supostamente conspiraram para levantar dinheiro ilegalmente. A verba seria usada para saldar dívidas das campanhas de Vila de 2000 e 2002 para o Congresso, onde ele atuou como representante sem direito a voto da ilha, território norte-americano. A Procuradoria também acusou Vila de ajudar pessoalmente um grupo de empresários da Filadélfia em seus esforços para obter contratos com o governo. Esses empresários teriam doado, em troca, contribuições ilegais de campanha. Vila, candidato à reeleição em novembro, desqualificou as acusações como políticas. Segundo ele, tudo não passa de "um espetáculo feito para me prejudicar". O comunicado do governador não trata de forma específica os supostos motivos da procuradoria. Mas Vila já acusou as autoridades dos Estados Unidos de o perseguirem por ele criticar uma ação do FBI realizada em setembro de 2005, na qual um militante fugitivo porto-riquenho foi morto. O governador disse que se apresentará à justiça na manhã de sexta-feira. Segundo a procuradora, ele pode ser condenado a até 20 anos de prisão, caso seja considerado culpado. Rosa disse que ele não será preso, mas cinco outros acusados foram levados algemados para o prédio da Procuradoria Federal em San Juan, na manhã desta quinta-feira. Vila também é um superdelegado do Partido Democrata - membro com direito a votar em quem quiser, independentemente do resultado dos caucuses ou primárias. Ele havia se comprometido a votar no senador Barack Obama. Thomas Green, advogado de Vila em Washington, criticou a acusação em ano eleitoral. Foi uma intrusão "sem precedentes e não merecida do governo federal" nos assuntos internos de Porto Rico, segundo Green.  As acusações de perseguição de Vila não tem o apoio total da população de Porto Rico. Muitos habitantes da ilha possuem um nacionalismo arraigado e ostentam certa hostilidade em relação ao governo federal norte-americano. A procuradora negou qualquer motivação política em suas ações. "Ninguém está acima da lei. Rosa afirmou que ela e seus colegas "não são políticos. Nós não tomamos decisões políticas".  Advogado formado em Harvard, Aníbal Acevedo Vila, de 46 anos, foi eleito governador em 2004 com uma plataforma anticorrupção. Vila é acusado de levantar fundos não declarados (caixa dois), excedendo os limites legais na campanha de 2004 para governador. Em seguida, os acusados teriam utilizado as próprias empresas ou o dinheiro destas para encobrir as transações ilegais. O partido do governador prega a manutenção do status semi-autônomo da ilha em relação aos EUA. Seu principal concorrente na campanha deste ano quer transformar Porto Rico no 51.º Estado norte-americano.

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