Governador pagava prostitutas com empresa fantasma, diz NYT

Investigação de transações suspeitas e corrupção vinculou Spitzer com prostituição de luxo, diz jornal

Agências internacionais,

11 de março de 2008 | 09h10

Uma investigação sobre crimes fiscais ligou a denúncia que vinculou o governador do Estado de Nova York, Eliot Spitzer, com o caso de prostituição de luxo. As transações financeiras que levantaram suspeitas teriam pago os encontros do democrata com prostitutas, segundo fontes oficiais citadas pelo jornal The New York Times nesta terça-feira, 11.  Veja também:  Após caso de prostituição, governador de NY considera renúncia   Outros escândalos sexuais na política americana  O governador de Nova York deve renunciar ao cargo?   Spitzer pediu desculpas a sua família horas após por ter sua ligação apontada a uma rede de prostituição de luxo. O governador, porém, cometeu mais do que um deslize pessoal ou familiar. Segundo o Times, o governador está sendo investigado pela Justiça por ter se envolvido com uma prostituta e deslocado a mulher entre Estados - ação que é considerada crime nos EUA. Em seu breve pronunciamento, Spitzer não comentou essa investigação, o que levou opositores a pedirem sua renúncia. Hotel de luxo em que Spitzer se encontrou com prostituta em Washington. Fotos: AP "Agi de uma maneira que violou minhas obrigações com a minha família", afirmou o governador ao lado da mulher, Silda, com quem é casado há 21 anos e tem três filhas.  Investigadores examinaram transações financeiras suspeitas do governador. Eles revisaram relatórios que mostram movimentos atípicos, que escondiam a fonte, o destino ou a finalidade de milhares de dólares em dinheiro, que terminaram em contas bancárias de empresas fantasmas. Essas movimentações, segundo oficiais que preferiram não se identificar ao jornal, sugeriam o possível financiamento de crimes - suborno, corrupção política ou operações inapropriadas envolvendo financiamento de campanhas. Prostituição, eles afirmam, seria o destino mais distante na suspeita dos investigadores. A investigação apontou, porém, que todo o dinheiro era desviado para o pagamento de sexo e que as transações eram manipuladas para garantir o pagamento dos encontros com prostitutas. Uma conversa telefônica gravada com o governador comprovou o envolvimento com o serviço de prostituição de luxo. Uma das jovens que trabalhavam para o Emperors Club VIP, o serviço de acompanhantes contratado por Spitzer, auxiliou na investigação. As escutas, assim como os registros bancários das empresas fantasmas, revelaram a rede de prostituição praticamente global. No centro está o Emperors Club, que arranja "encontros" com mais de 50 mulheres em Nova York, Paris, Londres, Miami e Washington. Na gravação, Spitzer é identificado como "Cliente 9" e confirma planos para uma das mulheres viajar de Nova York para Washington, onde ele tinha uma suíte de hotel reservada na noite de 13 de fevereiro.  O site da Emperors Club VIP na internet mostra fotos dos corpos das garotas com o rosto coberto, acompanhadas dos preços do programa por hora. Os valores dependem da classificação de cada prostituta, avaliadas em níveis de um a sete "diamantes". As garotas com sete "diamantes" chegam a cobrar US$ 5.500 por hora. Antes de ser eleito governador, em 2006, Spitzer foi procurador-geral do Estado por oito anos. Durante seu mandato ficou conhecido por lutar contra o crime organizado e perseguir duas redes de prostituição, que resultou na prisão de 18 envolvidos. Os governadores nos EUA têm grande poder político por causa da autonomia que cada Estado desfruta. Spitzer, do Partido Democrata, assumiu o cargo em janeiro de 2007 prometendo reformas, mas logo envolveu-se em um conflito com líderes republicanos estaduais, que acabou freando sua agenda política. (Com The New York Times)

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