Governo dos Estados Unidos reage a livro sobre decisões no Afeganistão

Fonte da administração Obama minimiza as desavenças entre equipe citadas por jornalista

MATT S, REUTERS

22 de setembro de 2010 | 18h22

O governo do presidente Barack Obama reagiu nesta quarta-feira, 22, contra um novo livro que descreve ásperas disputas entre membros da equipe presidencial envolvida na estratégia dele para o Afeganistão, com alguns inclusive duvidando da vitória.

"Obama's Wars" (As Guerras de Obama), do veterano jornalista Bob Woodward, do The Washington Post, afirma que a equipe de segurança nacional de Obama se dividiu profundamente a respeito do Afeganistão durante grande parte dos últimos 20 meses, enquanto o apoio popular dos norte-americanos ao conflito minguava.

O livro só chega às livrarias na segunda-feira, mas trechos antecipados pelos grandes jornais ajudaram a causar um considerável burburinho em Washington e na blogosfera, além de alimentar um clima de ceticismo entre os parlamentares que controlam os gastos militares.

Uma fonte de alto escalão minimizou as desavenças citadas por Woodward, dizendo que "os debates no livro são bem conhecidos, porque o processo de revisão política foi coberto exaustivamente."

Essa fonte disse que Obama se comportou como "um comandante-chefe analítico, estratégico e decidido, com uma ampla visão da história, da segurança nacional e do seu papel."

O livro sai a cinco semanas das eleições parlamentares, mas seu impacto deve ser mínimo, pois a questão do Afeganistão foi amplamente ofuscada pelos temas econômicos durante a campanha.

Mesmo assim, Woodward --que fez carreira colocando presidentes norte-americanos na berlinda-- pinta um retrato não exatamente bonito sobre a atuação do conselho de guerra obamista, com direito a assustadores comentários pessoais dos envolvidos sobre seus colegas.

Obama, segundo os trechos já publicados, teve confrontos com seus comandantes militares, especialmente o almirante Mike Mullen, chefe do Estado-Maior, e o general David Petraeus, que em 2009 queriam enviar ao Afeganistão mais reforços do que Obama cogitava.

O presidente, que teria pressionado seus assessores militares por um plano para o fim da ocupação, que nunca lhe foi entregue, acabou se decidindo pelo envio de 30 mil soldados adicionais, mas incluiu a promessa de começar a retirar o contingente em julho de 2011.

"Não posso perder todo o Partido Democrata", diz Obama no livro. Ele havia sido eleito presidente com a promessa de transferir o foco militar do Iraque para o Afeganistão, mas também ciente dos riscos políticos de enfrentar um "atoleiro" por lá.

Richard Holbrooke, representante especial de Obama para o Afeganistão e Paquistão, diz, segundo Woodward, que a estratégia do presidente "não pode funcionar." Em outro trecho, o vice-presidente Joe Biden chama Holbrooke de "o bastardo mais egoísta que já conheci."

(Reportagem adicional de Joanne Allen e Jim Wolf)

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