Governo dos EUA pede rejeição de ação sobre vôos secretos

O secretário de Justiça acredita que o processo representaria um risco para a segurança nacional

EFE

20 de outubro de 2007 | 01h49

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos pediu nesta sexta-feira que um tribunal federal em San Francisco (Califórnia) rejeite uma ação aberta contra uma filial da Boeing, acusada de ajudar a CIA no transporte secreto de supostos terroristas para outros países. O secretário de Justiça interino, Jeffrey Bucholtz, apresentou um recurso no qual o Governo sugeriu que o processo representaria um risco para a segurança nacional.  "Levar adiante o caso arriscaria a revelação de informação altamente classificada sobre supostas atividades e métodos de inteligência" da Agência Central de Inteligência (CIA), disse. Segundo o documento, "o presidente e outros funcionários admitiram que a CIA mantém um programa de detenção e interrogação, mas se recusaram especificamente a confirmar ou negar detalhes operacionais". Entre esses detalhes está a informação sobre a ajuda de órgãos privados ou outros países à CIA na realização do programa, assim como datas e situações das detenções e interrogações, os métodos e nomes, acrescentou. Em maio, a União de Liberdades Civis dos EUA (Aclu) acusou a empresa Jeppesen Dataplan de fornecer serviços de vôo à CIA para levar a prisões no exterior cinco homens que teriam sido interrogados sob tortura. Nelas, os supostos terroristas "foram objeto de torturas e outras formas de tratamento cruel, desumano e degradante", disse a organização. "As empresas americanas não devem se beneficiar do programa de entregas extraordinárias da CIA, que é ilegal e contrário aos valores básicos americanos", disse Anthony Romero, diretor-executivo da Aclu, ao anunciar a iniciativa legal. A organização acusou a companhia, através de sua agência de viagens Jeppesen International Trip Planning, de ser um dos principais fornecedores de apoio logístico aos aviões usados pela CIA no transporte secreto de suspeitos. Segundo a Aclu, a Jeppesen facilitou vôos para centros de detenção no exterior, controlados pelos Estados Unidos. Desde dezembro de 2001, teriam sido pelo menos 15 aviões, realizando um total de 70 viagens.

Tudo o que sabemos sobre:
EUATerroristas

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.