Grupos alertam Obama a não esconder segredos de Bush

Especialistas em liberdade civil dizem que os casos atuais relacionados à tortura estão testando a afirmação de que o governo do presidente norte-americano, Barack Obama, será mais aberto e transparente do que a administração de George W. Bush. Desde que assumiu em 20 de janeiro, Obama ampliou os segredos da era Bush sobre documentos autorizando a simulação de afogamento e outras técnicas controversas de interrogatório. "Não se trata da limpeza que as pessoas estavam esperando", disse Steven Aftergood, diretor da Federação do Projeto de Cientistas Americanos nos Segredos de Governo. "Também não é a palavra final." Obama ocupa a Presidência há menos de um mês e vários indicados para integrar o Departamento de Justiça ainda não foram confirmados. Mas grupos de defesa dos direitos humanos já estão preocupados com a possibilidade de Obama não cumprir as promessas de campanha de criar um governo transparente em contraste com os segredos da era Bush. Na quarta-feira, o governo deve defender numa corte federal em Manhattan um período de carência de 90 dias para revisar três memorandos do ex-conselheiro legal de Bush Steven Barbury, que funcionários da administração Bush recusaram-se a divulgar alegando razões de segurança nacional. Antes, a União Americana para as Liberdades Civis (ACLU, na sigla em inglês) havia exigido os documentos em um pedido de liberdade de informação há cinco anos, e a administração Bush havia se recusado a divulgá-los, alegando razões de segurança nacional. De acordo com reportagem do New York Times, em 2007, mencionada pela ACLU, os memorandos davam "autorização expressa" para o tratamento de suspeitos de terrorismo com a "combinação de táticas físicas e psicológicas dolorosas", incluindo "simulação de afogamento". O grupo se opôs à extensão, considerada excessiva, e os dois lados chegaram a um acordo na véspera da audiência, dando 30 dias para a administração responder. (Reportagem de Edith Honan)

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