Guantánamo não será fechada até janeiro, admite Obama

Governo dos EUA ainda tem de definir destino de suspeitos de terrorismo detidos na prisão em Cuba

estadao.com.br,

18 Novembro 2009 | 12h25

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, admitiu pela primeira vez que não conseguirá fechar a prisão de Guantánamo no prazo antes estipulado por ele, de janeiro de 2010. Em entrevista ao canal Fox News, Obama ressaltou que a prisão ainda será fechada no próximo ano, recusando-se a estabelecer uma data específica para o fechamento da prisão.

 

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Em sua primeira semana no cargo, em janeiro, Obama prometeu que fecharia a prisão que os EUA mantém na base militar em território cubano em até um ano. Agora, admite que levará mais tempo. A prisão em Guantánamo abrigou e ainda abriga vários supostos terroristas, capturados no âmbito da "guerra ao terror" liderada pelo antecessor de Obama, George W. Bush. "Guantánamo...nós tínhamos um prazo específico que não foi cumprido", afirmou nesta quarta-feira, 18, Obama à NBC, em uma das várias entrevistas concedidas por ele durante sua visita à Ásia.

 

Obama disse não estar desapontado em descumprir o prazo de um ano estipulado ao assumir a Presidência em janeiro deste ano porque "sabia que isso seria difícil". A administração de Obama tem enfrentado dificuldades em fechar o presídio devido à relutância de alguns deputados em aceitar a transferência de presos de Guantánamo para os EUA .

 

"É difícil não apenas pela política. Eu acho que as pessoas estão, compreensivelmente, temerosas após muitos anos nos quais ouviram que Guantánamo era crucial em manter os terroristas longe", disse. "Então, entendo que isso deva ser processado, mas também é tecnicamente difícil - eu apenas acho que, como sempre, as coisas em Washington andam mais devagar do que eu esperava", acrescentou.

 

Segundo a BBC, Guantánamo se tornou, durante o governo de antecessor de Obama, George W. Bush (2001-2008), a prisão para onde foram levados estrangeiros acusados pelas autoridades americanas de terrorismo na chamada "guerra contra o terror". Entretanto, o uso centro de detenção para esse fim se tornou foco de críticas de defensores de direitos humanos, que alegam que os detentos em Guantánamo foram submetidos a torturas.

 

As autoridades americanas agora procuram definir o futuro de 215 suspeitos de terrorismo ainda mantidos no centro de detenção. As dúvidas sobre o que fazer com aqueles considerados perigosos, mas que, por razões legais, não podem ser julgados em tribunais americanos, já indicavam que seria difícil fechar o local na data estipulada pelo presidente.

 

O governo americano já anunciou que pretende julgar alguns presos em tribunais americanos e repatriar aqueles que não são considerados ameaça. Na semana passada, o secretário de Justiça americano, Eric Holder, anunciou que o suposto mentor dos ataques de 11 de setembro, Khalid Sheikh Mohammed, e outros quatro acusados serão julgados em Nova York.

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