Cliff Owen/AP
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Hillary alerta Irã e Síria sobre consequências de ameaças a Israel

Em discurso, secretária reiterou que Síria transferiu armas para 'terroristas' e fez advertência a Ahmadinejad

Reuters e Associated Press

29 de abril de 2010 | 20h38

A administração Obama advertiu o Irã e a Síria nesta quinta-feira, 29, de que a relação dos Estados Unidos com Israel é irredutível, e que os países deveriam entender as consequências de ameaças ao Estado judeu.

 

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Em um discurso, a secretária de Estado Hillary Clinton afirmou que as transferências sírias de armamentos cada vez mais sofisticados, incluindo mísseis para militantes no sul do Líbano e em Gaza, podem causar novos conflitos no Oriente Médio. Hillary acrescentou que um Irã nuclearmente armado por desestabilizar profundamente a região.

 

"Essas ameaças à segurança de Israel são reais, elas estão crescendo, e devem ser detidas", disse a secretária em um discurso para o Comitê Judeu Americano. Sua fala foi o último esforço para mostrar a Israel que seus laços com os Estados Unidos continuam fortes, apesar de tensões que ocorreram no mês passado.

 

Hillary disse ao grupo que Israel está "confrontando alguns do mais difíceis desafios em sua história", particularmente do Irã, Síria e grupos que esses países apoiam, como o Hezbollah no Líbano e o Hamas na Faixa de Gaza, e reafirmou a determinação americana de fazê-los mudarem de curso.

 

"Transferir armas para esses terroristas, especialmente mísseis de longo alcance, seria uma séria ameaça para a segurança de Israel", disse.

 

Israel acusou a Síria de entregar ao Hezbollah mísseis Scud, armas que poderiam aumentar drasticamente os poderes do grupo para atingir Israel. A Síria negou as acusações. Oficiais americanos não confirmaram a posse de Scuds do Hezbollah, e disseram que estão preocupados sobre seu crescente arsenal de foguetes e mísseis.

 

"Nós estamos preocupados com a natureza do suporte sírio ao Hezbollah envolvendo uma série de mísseis", disse o porta-voz do Departamento de Estado, P.J. Crowley. Ele acrescentou que a inteligência americana estava procurando em "sistemas múltiplos" de "múltiplas fontes", incluindo a Síria.

 

Cessar a transferência de armamentos da Síria para grupos como o Hezbollah, disse Crowley, é uma das principais condições para o envio de um embaixador a Damasco. Os Estados Unidos estão sem um embaixador na Síria por cinco anos e a nomeação do diplomata Robert Ford para o cargo ainda espera a confirmação do senado.

 

Alguns legisladores questionaram a utilidade de mandar um enviado para a Síria agora, mas Hillary argumentou que o envio não seria "uma recompensa ou concessão", mas sim "uma ferramenta que pode nos dar mais influência introspecção, e uma maior habilidade de transmitir mensagens claras para uma mudança de comportamento da Síria".

 

"O presidente Assad está fazendo decisões que podem significar guerra ou paz para a região", afirmou a secretária. "Nós sabemos que ele dá ouvidos ao Irã, Hezbollah e Hamas. É crucial que ele também nos ouça, para que as consequências potenciais de suas ações fiquem claras".

 

Irã

 

Sobre o Irã, Hillary disse que a administração Obama continua aberta para um diálogo com Teerã, mas precisa notificar demandas internacionais para provar que seu suspeito programa nuclear é pacífico e não um disfarce para o desenvolvimento de armas atômicas. Se isso não ocorrer, os Estados Unidos continuarão a pressionar por mais severas sanções ao Irã no Conselho de Segurança da ONU.

 

Teerã está tentando evitar as sanções e o presidente Mahmoud Ahmadinejad pode tentar usar uma conferência nuclear na sede da ONU para fazer lobby contra as potências.

 

Hillary disse que qualquer tentativa de Ahmadinejad de minar o propósito da conferência - revisar e melhorar o Tratado de Não Proliferação (TNP), seria falha.  A ONU realiza na semana que vem, em Nova York, a conferência quinquenal de revisão do tratado, e o presidente do Irã já solicitou visto para participar.

 

Um porta-voz do Departamento de Estado disse que as solicitações de vistos para a delegação iraniana ainda estão tramitando. Como país-sede da ONU, os Estados Unidos costumam conceder vistos a todos os líderes estrangeiros que pretendem visitar a sede da entidade, mesmo quando se trata de governos rivais.

 

Citando os "três pilares" da política nuclear internacional --não proliferação, desarmamento e uso civil da energia atômica--, Hillary disse a jornalistas que "a missão dos que vão a Nova York rever, revisar e revigorar o TNP é claríssima; se não é essa a missão dele (Ahmadinejad), então uma viagem não será particularmente útil ou produtiva da parte dele."

Na opinião dela, é "absolutamente inquestionável" que o Irã tem violado o TNP.

 

"Se ele acredita que por vir aqui, ele pode de alguma maneira desviar a atenção desse importante esforço global ou causar confusão que pode possivelmente colocar em dúvida o propósito do Irã (...), então acredito que não teremos uma audiência particularmente receptiva", advertiu a secretária.

 

Oriente Médio

 

Em seu discurso, Hillary também disse que os Estados Unidos irá continuar a propor um tratado de paz entre israelenses e palestinos e espera recomeçar conversações indiretas entre os dois lados em breve.

 

O enviado especial americano para o Oriente Médio, George Mitchell, é esperado em uma nova visita na região na próxima semana.

    

 

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