Hillary alerta sobre risco de terrorismo com material físsil

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, advertiu na segunda-feira que material físsil, usado para a fabricação de bombas nucleares, pode cair nas mãos de terroristas e pediu uma negociação global imediata para interromper a produção desse material.

REUTERS

28 de fevereiro de 2011 | 15h35

Ao discursar na Conferência sobre o Desarmamento, ela pediu que o fórum da Organização das Nações Unidas (ONU) ponha fim ao impasse nas conversações sobre o tema e indicou que Washington poderá levar a questão a outros fóruns, a menos que haja um avanço em breve.

"Se considerarmos seriamente reduzir a possibilidade de que material físsil caia nas mãos de terroristas, precisamos reduzir a quantidade do material disponível", disse Hillary ao organismo de 65 membros em Genebra.

"No momento em que falo, centrífugas ao redor do mundo estão produzindo mais urânio enriquecido, uma quantia ainda significativa dele na gradação para armas. Produz-se plutônio nos reatores ao redor do mundo e nas usinas de reprocessamento ele é separado do combustível usado", afirmou ela, estimando que o mundo tenha em torno de 20 mil armas nucleares.

A decisão sobre um tratado envolvendo a redução da produção de material físsil seria um passo importante para se chegar a um mundo sem armas nucleares, algo solicitado pelo presidente dos EUA, Barack Obama, em Praga há quase dois anos, disse.

EUA e Rússia concordaram no ano passado em reduzir o número de ogivas nucleares estratégicas dentro do novo tratado Start. Agora, os países discutem outras reduções, de armas táticas e das que ainda não estão prontas para o uso.

Hillary afirmou, entretanto, que um único país -- que ela não citou pelo nome, mas descreveu como "amigo e parceiro dos EUA" -- estava bloqueando o consenso exigido para iniciar as negociações sobre o tema em Genebra.

Diplomatas e funcionários da ONU afirmam que o Paquistão é quem está atrapalhando o consenso na Conferência sobre o Desarmamento. Negociações sobre material físsil fora da conferência em Genebra poderão ocorrer em sessões bilaterais e de grupos menores.

(Reportagem de Stephanie Nebehay)

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