Hillary busca maior pressão de árabes contra o Irã

A secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, tentará reunir maior pressão diplomática de países árabes para deter as ambições nucleares do Irã durante uma visita ao golfo esta semana, disseram autoridades norte-americanas.

ARSHAD MOHAMMED, REUTERS

14 de fevereiro de 2010 | 10h40

Falando no momento em que Hillary partia para uma viagem de três dias ao Catar e Arábia Saudita, os funcionários disseram que a secretária também espera conquistar maior apoio árabe para reavivar as conversas de paz entre palestinos e Israel, congeladas há mais de um ano.

O presidente norte-americano, Barack Obama, pouco avançou em seu esforço para retomar o processo de paz ou persuadir o Irã a conter um programa nuclear civil que o Ocidente, assim como vários Estados árabes, suspeita encobrir o desenvolvimento de armas atômicas.

Os Estados Unidos lideram uma iniciativa para que o Conselho de Segurança da ONU imponha uma quarta rodada de sanções ao Irã, que alega que seu programa nuclear busca a geração de energia elétrica para exportar mais gás e petróleo.

As autoridades norte-americanas insinuaram que a Arábia Saudita pode ajudar diplomaticamente oferecendo à China garantias de que pode atender suas necessidades de petróleo, uma medida que pode suavizar a relutância de Pequim em impor novas sanções ao Irã.

A China, que tem poder de veto no Conselho de Segurança, tem relações comerciais lucrativas com Teerã e, assim como a Rússia, atuou para diluir as sanções anteriores.

"Acreditamos que todos os países têm um papel a desempenhar para deixar a questão clara para o Irã", disse aos repórteres o secretário-adjunto de Estado dos EUA, Jeffrey Feltman, afirmando que a Arábia Saudita e a China recentemente reforçaram seus contatos diplomáticos e comerciais.

"Contamos que os sauditas usem essas visitas e essas relações de maneira a ajudar a aumentar a pressão que o Irã sentiria", acrescentou.

Outras autoridades dos EUA, falando sob condição de anonimato, disseram acreditar que a Arábia Saudita sinalizou à China no tocante à garantia de fornecimento de combustível, mas não deram mais detalhes.

CHEGA DE NEGOCIAÇÕES

Hillary deve se encontrar com o primeiro-ministro do Catar, xeque Hamad bin Jassim al-Thani, no domingo e com o rei saudita Abdullan na segunda-feira.

O cerne da viagem é o discurso de Hillary no Fórum Mundial EUA-Islã. Ela planeja discutir como os Estados árabes podem dar apoio político ao presidente palestino, Mahmoud Abbas, para ajudá-lo a retomar as conversas de paz apesar da ausência de um congelamento nos assentamentos judeus nos territórios ocupados por Israel.

"O que gostaríamos de ver agora é os Estados árabes fornecendo o apoio que o presidente Abbas sente precisar para entrar em negociações", disse ela. "Vamos parar de falar em negociações, vamos fazê-las andar de verdade."

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