Hillary Clinton acusa rivais de distorcerem sua imagem

Senadora democrata ainda acusa Obama e Edwards de "jogar lama" na sua pré-candidatura

Associated Press, EFE

16 de novembro de 2007 | 04h10

Sob pressão em um mal-humorado debate entre os pré-candidatos do Partido Democrata à presidência dos Estados Unidos, em Las Vegas, a senadora Hillary Clinton disse na noite de quinta-feira, 15, que o povo americano "sabe onde ela está" e acusou seus rivais de distorcerem sua imagem e jogar lama "exatamente como num roteiro republicano".   "Não há nada de pessoal nisso", reagiu o ex-senador John Edwards, que se aliou ao senador Barack Obama para acusar Hillary de constantemente mudar de opinião sobre Segurança Social, licenças para dirigir para imigrantes ilegais e outros temas.   "O que o povo americano está procurando agora são respostas francas para questões sérias, e isto nós não temos ouvido da senadora Clinton em muitos assuntos", acrescentou Obama.   O confronto triplo durante o debate relegou os demais aspirantes a concorrer à presidência do país pelo Partido Democrata ao desconfortável papel de espectadores já desenhado na corrida pela indicação sete semanas antes das prévias em Iowa. Hillary lidera as pesquisas nacionais de opinião, mas recentes sondagens mostram ela, Obama e Edwards em virtual empate naquele Estado.   A agressiva troca de acusações e denúncias foi criticada pelos outros quatro pré-candidatos democratas. Inicialmente, eles se viram excluídos do debate.   O governador do estado do Novo México, Bill Richardson, resumiu sua atitude. "Não vamos nos atolar", pediu. "Em vez de brigar, é preciso unir o partido em busca do melhor candidato", concordou o senador Christopher Dodd.   Mas Richardson também se uniu aos ataques. Ele afirmou que Edwards se envolveu numa luta de classes, e acusou Obama de promover um conflito de gerações. Richardson, o único hispânico pré-candidato à Presidência dos Estados Unidos, questionou as afirmações de Hillary de que pretende terminar a Guerra do Iraque. "Só quero dar uma chance à paz", disse.   A legisladora de Nova York é o centro dos ataques desde o último debate na Filadélfia, no mês passado. As suas hesitações levaram Obama e Edwards a descrever a adversária como cautelosa demais e calculista.   Os ataques se refletiram nas enquetes, que mostraram uma queda na vantagem de Hillary e deram a seus rivais mais esperanças de vitória em Iowa, estado que em janeiro será o cenário da consulta inicial do partido ("caucus") para as eleições de novembro de 2008.   O debate aconteceu na Universidade de Nevada, estado que realizará a consulta do partido em 19 de janeiro. Mas os pré-candidatos concordaram em torno dos principais problemas do país, entre eles a oposição à Guerra do Iraque, o conflito com o Irã, os tratados de livre-comércio e, com algumas divergências, a necessidade de uma reforma integral do sistema de imigração.   Hillary Clinton, quem votou pela intervenção militar no Iraque, disse que rejeita a possibilidade de uma nova guerra, agora no Irã. "Sou contra a guerra no Irã, mas é preciso mostrar muita seriedade na negociação diplomática para impedir que o país se transforme numa potência nuclear", disse.   Ela admitiu que o Tratado de Livre-Comércio da América do Norte, assinado com o Canadá e o México durante o Governo de seu marido, Bill Clinton, foi um erro. "Ele não produziu os resultados que esperávamos", reconheceu. O debate também contou com o senador Joe Biden e o congressista Dennis Kucinich.

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