Hillary Clinton anuncia 'recomeço' nas relações com Rússia

Governo russo mostra aproximação e promete trabalhar com EUA contra ameaças do Irã e Coreia do Norte

Agências internacionais,

06 de março de 2009 | 17h09

A secretária de Estado americana Hillary Clinton anunciou nesta sexta-feira, 6, um "novo começo" nas relações entre EUA e Rússia. Por sua vez, o ministro do Exterior russo, Sergei Lavrov, disse que Washington e Moscou trabalharão juntos contra ameaças nucleares do Irã e Coreia do Norte. Hillary e Lavrov fizeram as declarações após um almoço em Genebra.  Segundo a secretária de Estado, as discussões dessa sexta - as primeiras sob o governo Barack Obama - tocaram em assuntos de interesse mútuo entre os dois países, como o avanço do desarmamento nuclear e a instabilidade no Afeganistão. Ela acrescentou que as conversas não resultaram em nenhum acordo formal, mas ressaltou que os dois lados demonstraram interesse em recomeçar as conversas para não-proliferação nuclear.    Veja também: Principais pontos de discussão entre Rússia e EUA  Resultados do primeiro giro de Hillary à frente da chancelariaHillary erra palavra e causa riso em reunião com chanceler russo Diálogo com Rússia não altera apoio à Georgia, diz HillaryGilles Lapouge: A atuação globalizante dos Estados Unidos O START 1, tratado de desarmamento nuclear assinado em 1991 pelos dois países, expira neste ano, e tanto EUA quanto Rússia mostram sinais positivos para uma renegociação. Lavrov também disse esperar que as relações econômicas com Washington melhorem. "Temos interesses comuns em um novo nível de relacionamento econômico entre os dois países", explicou. A chefe da diplomacia americana afirmou ainda aos jornalistas que, em sua reunião com o chanceler russo, falou-se de "tudo" e "nada ficou fora da mesa". No entanto, ela ressaltou que EUA e Rússia têm consciência de que relançar do zero a relação bilateral, como deseja a administração Obama, "levará tempo", mas afirmou que têm "muita esperança" nisso. Irã A Rússia, por sua vez, defendeu a necessidade de empreender um diálogo com o Irã para resolver as dúvidas geradas pelo programa nuclear do país, assim como a conveniência de envolver no processo as demais nações do Oriente Médio, e inclusive Israel. "Concordamos em que precisamos de um diálogo com o Irã no qual participem todos os países da região, inclusive Israel. Sabemos que é difícil chegar a isto, mas compreendemos claramente que é o que deve acontecer", disse o chanceler russo. Lavrov defendeu a cooperação técnica da Rússia com o Irã, que, em sua opinião, foi muito mal vista pela administração de George W. Bush. No entanto, o chefe da diplomacia russa justificou a atitude de seu governo ao destacar que tal cooperação "está de acordo com as normas internacionais e as leis russas de exportação", e ressaltou: "Não incomodamos ninguém com esta cooperação." Na mesma entrevista, Hillary lembrou que os Estados Unidos estão fazendo "uma ampla revisão de sua política" em relação ao Irã para determinar "quais passos podem ser dados". Para ela, é fundamental impedir que o regime de Teerã obtenha armas nucleares e que deixe de apoiar grupos terroristas. Em uma clara mudança em relação à política de Bush, a secretária de Estado concluiu dizendo que o governo de Obama "dá as boas-vindas a todas as ideias que a Rússia possa nos dar neste sentido." 

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