Hillary Clinton argumenta contra intervenção militar na Síria

Hillary Clinton argumenta contra intervenção militar na Síria

Síria tem sociedade mais diversificada, com grandes divisões e Exército muito mais capaz, diz secretária

ARSHAD MOHAMMED, REUTERS

31 Maio 2012 | 15h10

COPENHAGUE - A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, expôs nesta quinta-feira, 31, argumentos contra a intervenção armada na Síria, apesar do massacre da semana passada na cidade de Houla.

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Em evento com estudantes dinamarqueses, Hillary foi alvo de perguntas difíceis sobre o que poderia motivar os Estados Unidos e outras nações a realizarem uma ação militar na Síria, onde o presidente Bashar al-Assad está lutando contra uma revolta que já duar 14 meses.

O massacre de sexta-feira em Houla de mais de 100 civis, muitos deles crianças, provocou pedidos para que o Ocidente tome uma ação mais forte na Síria, apesar da oposição russa e chinesa.

No entanto, Hillary expôs os argumentos dos EUA contra a intervenção armada por enquanto na Síria, em contraste com a Líbia, onde ataques aéreos liderados pelo Ocidente no ano passado ajudaram a acabar com o regime de Muammar Gaddafi.

Hillary disse que a Síria tem uma sociedade mais diversificada, com grandes divisões étnicas, sem oposição unificada, defesa aérea mais forte e um Exército muito mais capaz do que o da Líbia.

Acima de tudo, ela enfatizou que não há apoio internacional por causa da oposição russa e chinesa no Conselho de Segurança da ONU, onde por duas vezes esses países vetaram resoluções sobre a Síria.

Falando mais tarde em uma entrevista coletiva com o ministro de Relações Exteriores dinamarquês, Hillary disse que iria tentar mudar a posição da Rússia.

“Os russos continuam nos dizendo que eles querem fazer tudo o que puder para evitar uma guerra civil porque eles acreditam que a violência seria "catastrófica", afirmou ela. “Eles muitas vezes [...] comparam ao equivalente a uma grande guerra civil libanesa e eles são vociferantes na sua alegação de que eles estão oferecendo uma influência estabilizadora. Eu rejeito isso."

“Acho que eles estão de fato apoiando o regime num momento em que deveríamos estar trabalhando em uma transição política", afirmou ela.

Hillary disse aos estudantes que a distribuição da população síria aumentou as chances de vítimas civis em qualquer ação armada.

“"Um monte de pessoas estão tentando descobrir o que poderia ser uma intervenção eficaz que não causaria mais mortes e sofrimento", disse ela. "“Estamos pensando em tudo isso. Há todos os tipos de planejamento, tanto civil e humanitário e militar em andamento, mas os fatores simplesmente não estão lá."

Hillary contou que ela havia dito ao governo russo que as chances de uma guerra civil ampla na Síria eram maiores se o mundo deixasse de agir.

"Os perigos que enfrentamos são terríveis", disse ela, acrescentando que a violência que coloca as forças governamentais e milícias pró-Assad contra os rebeldes iria se transformar em algo muito pior.

"(Isso) pode se transformar em uma guerra civil num país que seria dilacerado por divisões sectárias, o que poderia então se transformar em uma guerra na região, porque, lembrem-se, você tem o Irã profundamente enraizado na Síria", disse ela.

Hillary não descreveu nenhuma alternativa aos esforços de paz do mediador das Nações Unidas e da Liga Árabe, Kofi Annan.

"Estamos tentando continuar pressionar todas as partes a apoiar Kofi Annan como uma voz independente, porque os sírios não vão nos ouvir", disse ela. "“Eles podem ouvir, talvez, os russos, por isso estamos pressionando-os."

Hillary deixou claro na entrevista coletiva com o seu colega dinamarquês que os EUA não consideram uma ação militar. "Estamos longe de montar qualquer tipo de coligação que não seja para aliviar o sofrimento", disse ela.

Perguntada se os Estados Unidos podem considerar agir na Síria sem uma explícita resolução do Conselho de Segurança da ONU - uma possibilidade insinuada na quarta-feira pelo embaixador dos EUA nas Nações Unidas - Hillary disse que Washington faz planos para todas as contingências, mas está apoiando firmemente o plano de Annan “por enquanto.

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