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Hillary Clinton diz que não se reunirá com iranianos em Haia

Secretária de Estado americana espera cooperação de Teerã no Afeganistão durante conferência da ONU

Agências internacionais,

30 de março de 2009 | 18h16

A secretária de Estado americana Hillary Clinton disse nesta segunda-feira, 30, esperar que o Irã prometa melhorar a segurança na fronteira com o Afeganistão e ajuda na luta contra o tráfico de drogas durante a conferência em Haia, mas revelou não ter planos para se encontrar com delegados de Teerã. "Não tenho planos (para encontrar separadamente os oficiais iranianos). Não posso prever o amanhã, mas estamos ansiosos para todos desempenharem um papel construtivo", afirmou ela durante a viagem para a reunião.

 

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Na última quinta-feira, Teerã anunciou que participará de uma conferência da ONU sobre o futuro do Afeganistão, que acontece nesta terça. A reunião foi proposta pelos EUA, inimigo antigo de Teerã. O porta-voz do Ministério do Exterior, Hassan Qashqavi, disse, porém, que o Irã ainda vai decidir quem enviará à reunião. Estão confirmadas as presenças do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, de Hillary e de delegados de mais de 80 países.

 

O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Gordon Duguid, saudou a notícia da participação do Irã, após a proposta do presidente Barack Obama para um "novo começo" na diplomacia com a República Islâmica em uma série de questões. Mas ele também afirmou que Hillary não tem planos de realizar um encontro bilateral com autoridades iranianos no fórum. "Essa conferência é sobre a busca de um consenso regional sobre o Afeganistão. Não é uma conferência sobre as relações EUA-Irã", declarou o porta-voz.

 

No começo do mês, Hillary disse que o Irã seria convidado à reunião sobre o Afeganistão, que enfrenta um levante de proporções cada vez maiores do Taleban, num reconhecimento da influência do país sobre o vizinho problemático. O Irã e os EUA não mantêm laços diplomáticos há três décadas e agora divergem sobre a atividade nuclear de Teerã.

 

Analistas dizem, no entanto, que eles compartilham o interesse de garantir a estabilidade no Afeganistão, onde a violência atingiu o nível mais alto desde a invasão liderada pelos EUA em 2001. "O Irã participará", disse Qashqavi. "O nível de participação não está claro."

 

Espera-se que Hillary Clinton forneça detalhes de uma revisão da estratégia norte-americana com relação ao Afeganistão e ao Paquistão, cuja divulgação está planejada para ocorrer antes da conferência na cidade holandesa. O Irã diz que os EUA estão fracassando no Afeganistão, mas que Teerã está pronta a ajudar o país vizinho.

 

PONTOS COMUNS

 

O ministro das Relações Exteriores Manouchehr Mottaki foi citado dizendo que havia a necessidade de uma solução regional. No mês passado, Obama ordenou o deslocamento de mais 17 mil soldados norte-americanos ao Afeganistão. O Irã com frequência tem pedido que as forças dos EUA deixem a região, afirmando que elas agravam a situação. Mas tanto Teerã como Washington se opõem ao Taleban e à rede Al-Qaeda, apoiam o presidente afegão, Hamid Karzai, e querem estabilidade, a reconstrução e o fim do tráfico de drogas.

 

"Acreditamos que deve ser encontrada uma solução regional para a crise no Afeganistão", disse Mottaki à agência de notícias semi-oficial Fars durante visita ao Brasil. "O objetivo do Irã na região é ajudar a paz, a estabilidade e a calma necessárias para o progresso da região", acrescentou ele.

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