Hillary condena vazamentos que 'arriscam vidas de cidadãos'

Dados de 400 mil relatórios de guerra no Iraque começam a ser divulgados pela imprensa

Efe,

22 de outubro de 2010 | 20h08

WASHINGTON- A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, disse nesta sexta-feira, 22, que condena de forma veemente qualquer vazamento de documentos que "coloque em risco vidas americanas ou de seus aliados".

 

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Acompanhada de seu colega paquistanês, Mahmood Qureshi, Hillary respondeu assim à publicação de documentos sobre a Guerra do Iraque pelo site WikiLeaks - que já divulgou informações semelhantes anteriormente - e que foi adiantada pela rede de televisão árabe Al Jazeera, mostrando a existência de um maior número de vítimas civis e torturas realizadas pelas forças dos EUA.

 

"Tenho a firme convicção de que devemos condenar nos termos mais claros possíveis a difusão de qualquer informação, por parte de indivíduos ou organizações, que coloque em risco a vida dos soldados ou civis dos EUA e de seus aliados", disse Hillary.

 

A Al Jazeera, que se antecipou à publicação prevista e obrigou o Wikileaks a levantar o embargo sobre todos os meios de comunicação que divulgariam as informações, assegura que "o número de mortos civis é muito maior que o estipulado oficialmente".

 

Os relatórios documentam, segundo o canal de TV, que após a guerra, iniciada em março de 2003, houve "vários casos de tortura, humilhação e homicídios contra civis por parte das forças iraquianas".

 

Também registram mais casos de vítimas civis da Blackwater, empresa de segurança que trabalhou na guerra.

 

Além disso, revelam que o Exército dos EUA "ocultou casos de tortura dentro das prisões iraquianas" e que supostamente há relatórios americanos que relacionam o primeiro-ministro iraquiano interino, Nouri al-Maliki, que teria ordenado a formação "de equipes encarregadas de torturar e massacrar".

 

O Pentágono garantiu nesta sexta que não esperava "grandes surpresas" sobre a grande quantidade de documentos a respeito da Guerra do Iraque, mas alertou que as provas poderiam colocar em risco as tropas norte-americanas no país.

 

O site convocou a imprensa, através do Twitter, para uma entrevista coletiva que acontece neste sábado em um lugar da Europa, provavelmente Londres, para divulgar os documentos, naquele que é o maior vazamento da história dos Estados Unidos.

 

O Pentágono considera que os documentos que serão divulgados, cerca de 400 mil, são relatórios de campo sobre a Guerra do Iraque, conhecidos como "Significant Activities" ou Sigacts, em jargão militar.

 

Caso sejam confirmadas as expectativas, o vazamento seria muito maior que o protagonizado pelo próprio Wikileaks, em julho, quando foram publicados 92 mil relatórios secretos das Forças Armadas dos EUA sobre o Afeganistão.

 

O Wikileaks é um site independente, atualmente com sede na Suécia, que permite a publicação anônima de dados e documentos confidenciais de empresas, governos e instituições.

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