Hillary diz que Congresso deve reduzir fundos para guerra

Segundo a senadora, políticas da administração Bush estão deixando os inimigos da América mais desafiantes

Efe,

23 de setembro de 2007 | 20h28

O Congresso dos Estados Unidos deveria eliminar os fundos para a Guerra do Iraque para que o presidente George W. Bush e o governo iraquiano busquem outras opções, afirmou neste domingo, 23, a senadora democrata e pré-candidata presidencial Hillary Clinton. A senadora foi aos programas de televisão para falar do conflito no Iraque, defender seus planos para uma retirada gradual do país e destacar os aspectos de sua plataforma eleitoral. As tropas americanas presentes no Iraque "não podem servir com sucesso como árbitros em uma guerra civil sectária", advertiu Hillary em um programa da rede CBS. "Votei contra os fundos no começo do ano e votarei contra novamente caso não haja uma mudança de política", ameaçou Clinton, que lidera nas pesquisas de opinião entre seus rivais democratas para a candidatura presidencial de 2008. Hillary criticou as declarações do presidente Bush de que um cronograma para a retirada das tropas americanas só encorajaria o inimigo. "Acho que está errado. (O inimigo) Está desafiante devido às políticas desta Administração", argumentou a senadora democrata por Nova York. Como prova de que os inimigos dos Estados Unidos só se fortaleceram, Hillary mencionou as ambições nucleares do Irã e da Coréia do Norte, assim como a suposta colaboração entre Damasco e o governo de Pyongyang. A senadora reiterou que se vencer as eleições presidenciais de 2008 manterá seu compromisso de estabelecer um calendário para a retirada da maioria dos soldados americanos no Iraque. No entanto, reconheceu que os Estados Unidos manterão um número reduzido de tropas no país para dar continuidade às missões de capacitação das forças de segurança iraquianas, assim como às operações antiterroristas e à proteção do pessoal americano. "Essa é uma visão mais clara do que tentamos conseguir. (...) O planejamento não foi precisamente um ponto forte da Administração Bush", observou. A evolução da Guerra do Iraque e como conseguir a estabilidade política e a segurança no país despontam como um tema dominante nas eleições presidenciais de 7 de novembro de 2008. Os EUA possuem atualmente 160 mil soldados no Iraque, e quando o próximo presidente assumir, em 2009, terá cerca de 100 mil soldados. Muitos observadores questionam a capacidade do governo de Washington de cumprir as demais missões com um número reduzido de tropas. Sem dar mais detalhes, Hillary disse à CNN que se houver progressos contra a Al-Qaeda no Iraque "sem dúvida" vai querer mantê-los, "mas não são necessários 160 mil soldados para isso". Sobre sua capacidade de liderar um país em guerra, ela disse à NBC que demonstrou que pode mais que "superar" os ataques da oposição. "Em minhas excursões por todo o país, aumentou o apoio" à campanha, afirmou. Hillary se descreveu como um líder que não só defende suas posições mas também alcança consenso entre os atores políticos.  Em um programa da Fox, respondeu em meio a gargalhadas uma pergunta sobre o intenso partidarismo e a sensibilidade às críticas de opositores que ela compartilha com seu marido, o ex-presidente Bill Clinton. "Se você estivesse um só dia em nosso lugar nos últimos 15 anos, tenho certeza que entenderia. Mas a verdadeira meta de nosso país agora é estar à frente do partidarismo, e tenho certeza de que estou dando minha parte, porque temos muitos problemas graves", respondeu.

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