Hillary diz que Obama terá nova política para o Irã

A senadora Hillary Clinton disse na terça-feira que o governo de Barack Obama não descartará nenhuma opção ao lidar com o Irã, mas que há intenção de adotar "uma abordagem nova, talvez diferente" em relação ao programa nuclear do país. "O que tentamos até agora não funcionou", disse ela numa sabatina na Comissão de Relações Exteriores do Senado, necessária para sua confirmação como futura secretária de Estado. Questionada se tal revisão incluía a abertura de representação diplomática em Teerã, algo que o governo Bush chegou a propor, mas não realizou, ela disse que sim. "Vamos nos voltar para eles com mais diligência e atenção", afirmou ela, sem citar prazos. "Nenhuma opção está descartada", ressaltou Hillary, usando uma expressão que habitualmente refere-se à possibilidade da ação militar. O governo Bush e seus aliados conseguiram aprovar várias sanções da ONU contra o programa nuclear do Irã, algo que, segundo Hillary, deve continuar valendo no governo Obama. "Faremos tudo o que pudermos por meio da diplomacia, pelo uso de sanções, pela criação de coalizões melhores com países que acreditamos que também tenham uma grande participação em evitar que o Irã se torne uma potência com armas nucleares", disse Hillary. Ela se mostrou cautelosa quanto aos resultados. "Não temos ilusões de que, mesmo com um novo governo tentando abordar o Irã de uma forma que possa influenciar seu comportamento, possamos prever os resultados. Mas o presidente eleito está comprometido com esse rumo e vamos tomá-lo." Ela também manifestou apoio às negociações pluripartites para restringir o programa nuclear da Coreia do Norte. "É uma instância que o presidente eleito e eu acreditamos que tenha mérito, mas também fornece uma oportunidade (...) para contatos bilaterais entre a Coreia do Norte e Estados Unidos", disse ela. As negociações pluripartites envolvem as duas Coreias, China, Japão, Rússia e EUA. Graças a esse processo, em 2005 Pyongyang aceitou abandonar seu programa nuclear em troca de ajuda econômica, mas em 2006 o regime comunista testou um artefato nuclear, e desde então protela o desmantelamento do seu programa de enriquecimento de plutônio. Hillary disse que a abordagem multilateral também será revista. (Reportagem de Sue Pleming)

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