Hillary e Obama travam debate agressivo antes de nova prévia

A caminho da Carolina do Sul, principais pré-candidatos do Partido Democrata trocam acusações pessoais

JOHN WHITESIDES E ELLEN WULFHORST, REUTERS

22 de janeiro de 2008 | 09h40

Os pré-candidatos democratas Hillary Clinton e Barack Obama travaram na noite de segunda-feira, 21, na Carolina do Sul, um agressivo debate, marcado por acusações pessoais. Obama manteve suas críticas ao ex-presidente Bill Clinton pelos ataques que este lhe faz, na defesa da candidatura da ex-primeira-dama. Já Hillary recriminou seu adversário aludindo a menções elogiosas dele ao falecido presidente Ronald Reagan, um ícone republicano desprezado por muitos democratas. O embate foi tão acirrado que o ex-senador John Edwards, que ocupa um distante terceiro lugar na disputa democrata, quase não conseguiu falar. Ele acusou os rivais de dividirem o partido. O debate aconteceu na Carolina do Sul, próximo Estado a realizar prévias democratas, no sábado. Segundo as pesquisas, Obama tem uma ligeira vantagem. Mais de metade dos prováveis eleitores democratas da Carolina do Sul devem ser negros, assim como Obama. Hillary lembrou que na semana passada Obama afirmou que Reagan "mudou a trajetória da América". Ela disse que seu adversário há quase 15 anos admira as idéias do outro partido. "Pessoalmente, acho que eles tinham idéias. Mas eram idéias ruins", afirmou Hillary, que tenta ser a primeira mulher a governar os EUA. Obama, que pode se tornar o primeiro presidente negro, reagiu dizendo que de forma alguma elogiou as idéias republicanas -- estaria apenas constatando que Reagan tinha a capacidade de unir rivais. Quando Hillary o interrompeu para dizer que não havia mencionado Reagan, Obama afirmou: "O seu marido mencionou". "Eu estou aqui, não ele", devolveu Hillary. "Bem, às vezes não consigo dizer contra quem estou concorrendo", reagiu o senador, demonstrando sua crescente exasperação com o envolvimento de Bill Clinton na campanha. O mediador Wolf Blitzer, da CNN, teve dificuldades em controlar o debate em alguns momentos. O evento coincidiu com o feriado dedicado a Martin Luther King, líder negro assassinado na década de 1960. Hillary e Obama chegaram à Carolina do Sul com os nervos à flor da pele, depois de travarem uma disputa acirrada em Nevada, onde no sábado Hillary venceu. Nem entre republicanos nem entre democratas há um claro favorito para as indicações para disputar a eleição presidencial de 4 de novembro. As prévias nos primeiros Estados resultaram em múltiplos vencedores, o que embolou o quadro. (Por Steve Holland)

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