Hillary encontra rei saudita em meio a tensão com Síria e Irã

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, reuniu-se com o rei e o ministro das Relações Exteriores da Arábia Saudita em Riad, nesta sexta-feira, para discutir o conflito na Síria em meio ao cenário de tensão sobre o Irã e a divergências sobre políticas de petróleo.

ANGUS MCDOWALL, REUTERS

30 de março de 2012 | 11h47

A principal superpotência do mundo e seu principal exportador de petróleo têm sido aliados estratégicos desde os anos 1940, mas a discórdia sobre como responder às revoltas populares árabes complicou as relações no ano passado.

"Ambos os lados reconheceram que os seus interesses comuns são muito mais significativos do que as questões que vêm recentemente dividindo-os", disse Robert Jordan, embaixador dos EUA em Riad de 2001 a 2003, citando a cooperação antiterrorismo, as preocupações com o programa nuclear do Irã e maior estabilidade no Oriente Médio.

Imagens transmitidas pela televisão estatal mostraram Hillary Clinton reunida com o rei Abdullah, enquanto outras autoridades, incluindo o ministro das Relações Exteriores, o príncipe Saud al-Faisal, o ministro da Defesa, o príncipe Salman, e o ministro de Inteligência, o príncipe Muqrin, acompanhavam o encontro.

Os Estados Unidos e outros países consumidores temem que a Arábia Saudita possa cortar a produção de petróleo se eles liberarem as reservas de emergência, neutralizando o seu esforço para esfriar os mercados energéticos mundiais.

Diplomatas e fontes da indústria afirmam que os países ocidentais podem querer que Hillary busque a garantia de que os sauditas não vão minar a tentativa deles de reduzir os custos de combustível.

Apoiada pelos países ocidentais, a Arábia Saudita liderou os esforços árabes para pressionar o presidente sírio, Bashar al-Assad, que é aliado do Irã, a acabar com sua sangrenta repressão de uma revolta que já dura um ano e deixar o cargo.

Os sauditas agora querem ver medidas mais enérgicas contra Assad, incluindo o armamento dos rebeldes, algo que os Estados Unidos estão relutantes em fazer por medo de serem arrastados para uma guerra civil.

"As opções políticas são muito limitadas. Os Estados Unidos não estão em posição para ajudar a armar os rebeldes ou fornecer qualquer tipo de apoio militar para eles. Então, meu palpite é que haverá esforços dos sauditas para coordenar propostas e pelo menos ganhar tempo para os rebeldes", disse o ex-enviado dos EUA Jordan.

Após se reunir com ministros das Relações Exteriores da Arábia Saudita e de outros países do Golfo no sábado, Hillary Clinton seguirá para a Turquia para reuniões com a oposição síria.

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