Yves Logghe/AP
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Hillary espera conseguir maior apoio da Otan no Afeganistão

Secretária de Estado dos EUA acredita que países aliados contribuirão com aumento do contingente militar

estadao.com.br,

04 de dezembro de 2009 | 08h12

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, acredita que os países da

Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) apoiarão a nova estratégia do presidente Barack Obama para o Afeganistão e enviarão mais tropas, após da decisão da Casa Branca de mandar mais 30 mil soldados para o conflito. Hillary, que participará da reunião de chanceleres da Otan que acontece nesta sexta-feira, 4, em Bruxelas, espera conseguir um compromisso maior dos membros da aliança.

 

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Hillary destacou que a resposta dos aliados tem sido positiva e que eles entendem a importância da missão no Afeganistão. Na terça-feira, o secretário-geral da Otan, o dinamarquês Anders Fogh Rasmussen, assegurou que os membros da organização prometeram "pelo menos 5 mil soldados e talvez mais alguns milhares" para a luta contra o Taleban.

 

Fontes oficiais já adiantaram que mais de 20 dos 43 países que formam a missão internacional no Afeganistão já indicaram que podem ampliar o seu contingente militar, superando os 5 mil soldados anunciados no início desta semana. Se o objetivo de Obama for alcançado - ele espera conseguir, no total, 40 mil militares

no fronte afegão -, os efetivos na guerra chegarão a quase 300 mil soldados.

 

Até agora, O Reino Unido confirmou uma contribuição de 1.200 soldados, a Itália outros mil e a Polônia pelo menos 600. A Geórgia deve mandar outros mil e a Coreia do Sul pelo menos 500. Porém, alguns países evitaram se comprometer com o envio de mais tropas para um conflito tão impopular e violento, como Alemanha - que possui o terceiro maior contingente militar depois de EUA e Reino Unido -, França e Espanha.

 

Compromisso da Otan

 

O secretário-geral Otan garantiu que os aliados "farão o que seja necessário e pelo tempo que seja necessário" para "terminar o trabalho" que empreenderam no Afeganistão. Rasmussen, que confiou em que ao longo do próximo ano haverá grandes avanços no país, advertiu, no entanto, que não há "soluções mágicas" e que "pode ser necessário mais tempo, mais compromisso e mais paciência" para alcançar o "objetivo comum" de estabilizar o país asiático.

Rasmussen falou durante a abertura da reunião com os países de fora da organização que colaboram no Afeganistão. Ele deixou claro que, para que o esforço internacional em solo afegão tenha êxito, é preciso "um verdadeiro trabalho de equipe" e lembrou que o que acontecer ali terá "impacto direto" sobre a segurança do resto do mundo.

Após o anúncio de vários países da Otan sobre a intenção de aumentar suas tropas no Afeganistão, na mesma linha do reforço anunciado pelos Estados Unidos, o secretário-geral ressaltou que a Aliança e seus membros terão um número "substancialmente mais alto de forças no terreno", mais ajuda ao desenvolvimento e uma melhor distribuição da mesma.

"A partir do próximo ano, avançaremos com a transição e a transferência da responsabilidade aos 180 mil soldados das forças afegãs que já treinamos, enquanto continuaremos preparando mais do que nunca", explicou.

Ao chegar ao encontro, o ministro de Assuntos Exteriores britânico, David Miliband, elogiou o discurso do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e considerou que "é o momento de a comunidade internacional reagir e apoiar os esforços para a estabilidade do Afeganistão e Paquistão". "Acho que todos e cada um dos ministros neste encontro, cada governo, devem se perguntar se está fazendo tudo o possível do ponto de vista civil e militar para garantir o êxito no Afeganistão", disse.

 

Para Miliband, há "um sentimento de responsabilidade na Otan e os anúncios recentes de países como Turquia e Eslováquia mostram que há uma verdadeira aceitação de que este é o momento". O ministro britânico, cujo país já anunciou o envio de mais 500 soldados este mês, disse que o atual é um ponto "vital", depois "de uma guerra que dura anos" e após os compromissos do governo afegão e dos novos esforços anunciados por Obama.

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