Hillary: EUA querem se aproximar de líbios em meio à crise

A Secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, disse neste domingo que seu país está tentando se aproximar de grupos de oposição da Líbia que tentam derrubar o líder Muammar Gaddafi.

ANDREW QUINN, REUTERS

27 de fevereiro de 2011 | 16h37

Hillary fez a declaração pouco antes de partir para Genebra, onde se reunirá com aliados europeus e diplomatas de países árabes e africanos, na esperança de chegar a acordo sobre uma postura comum em relação à rebelião que ameaça dar fim ao governo de 41 anos de Gaddafi.

A viagem ocorre um dia depois de o Conselho de Segurança da ONU ter imposto, por unanimidade, a proibição de viagens de Gaddafi e sua família, bem como o congelamento de seus bens.

"Estamos nos aproximando de muitos libaneses diferentes no leste do país, no momento em que a revolução caminha para o oeste", disse Hillary, referindo-se a grupos de oposição. "É cedo demais para prever resultados."

Um porta-voz para o novo Conselho Nacional da Líbia, que se formou no leste da cidade de Benghazi, depois de ter sido tomada por forças anti-Gaddafi, disse que seu grupo não queria a intervenção estrangeira.

Com os adversários de Gaddafi obtendo vitórias perto da capital, Trípoli, Hillary disse que a resolução da ONU era uma mensagem para Gaddafi e seu círculo de que "serão responsabilizados pelas ações que estão sendo tomadas e que foram tomadas no passado contra o povo líbio".

Hillary disse que os EUA não estão negociando com Gaddafi.

"Queremos que ele saia, que dê um fim a seu regime e detenha os mercenários e soldados que permaneceram leais a ele", disse ela. "Como ele vai conseguir isso depende só dele."

Autoridades dos EUA dizem que a viagem de Hillary a Genebra é destinada a coordenar a resposta internacional à crise da Líbia. Washington insiste que o mundo deve "falar em uma só voz" em conter a violência e levar Gaddafi à justiça.

A resolução aprovada pelo conselho de 15 nações da ONU também pediu o encaminhamento imediato da repressão violenta para o Tribunal Criminal Internacional em Haia, para investigação e eventual ação judicial pelos responsáveis pela morte de civis.

O governo norte-americano do presidente Barack Obama vem sendo criticado por grupos de direitos humanos e outros por não assumir uma postura mais rápida quanto à Líbia, o último país atingido pela turbulência e protestos antigovernamentais em todo o Oriente Médio e Norte da África.

Mas funcionários da Casa Branca disseram que os temores pela segurança dos norte-americanos no país haviam detido a resposta de Washington à crise.

Washington anunciou uma série de sanções contra a Líbia na sexta-feira, depois de um barco fretado e um avião que transportava norte-americanos e outros refugiados deixaram a Líbia.

Washington está estudando medidas que incluem sanções e uma zona de proibição de voo, para tentar deter a repressão de Gaddafi contra os protestos antigovernamentais. Diplomatas estimam que a repressão já matou cerca de 2 mil pessoas em duas semanas de violência.

Enquanto os governos ocidentais estão tentando aumentar a pressão, não se sabe quanto tempo Gaddafi, com alguns milhares de correligionários, poderá resistir às forças rebeldes, composta por homens armados jovem e soldados amotinados.

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