Hillary mantém oferta de diálogo sobre programa nuclear do Irã

Em discurso nesta 4ª, secretária de Estado vai deplorar a repressão de Teerã aos protestos após a eleição

REUTERS

15 de julho de 2009 | 13h03

A secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, criticou a repressão do Irã aos dissidentes depois da eleição presidencial de junho, mas disse que o governo de Barack Obama ainda quer manter conversações com o país sobre seu programa nuclear, com a ressalva de que a proposta de diálogo não será mantida indefinidamente. A declaração faz parte de um discurso que Hillary fará nesta quarta-feira, 15, e que o Departamento de Estado qualificou como "um grande pronunciamento dela sobre política externa".

 

O Departamento de Estado divulgou antecipadamente trechos do discurso, que vai ser feito no Conselho de Relações Exteriores nesta quarta-feira. Hillary disse que nem ela nem o presidente Obama têm ilusões de que esse diálogo terá sucesso e afirmou ainda que a oportunidade de conversações não tem limites estabelecidos.

 

"Mas nós também compreendemos a importância de tentar envolver o Irã em compromissos e oferecer a seus líderes uma clara opção - ou se unir à comunidade internacional como um membro responsável ou continuar seguindo por um caminho de mais isolamento", disse. "Conversações diretas são o melhor meio de apresentar e explicar essa opção", acrescentou.

 

Até agora o Irã não respondeu aos apelos por diálogo com os EUA e outras grandes potências que buscam convencer o país a abandonar atividades nucleares delicadas, que o Ocidente acredita terem como objetivo a fabricação de uma bomba e o Irã diz que visam somente a produção de energia elétrica.

 

Hillary disse que os EUA acompanharam a eleição do mês passado, mas ficaram "estarrecidos" pelo modo como o governo usou de violência para dispersar manifestantes que contestavam o resultado. "Como nós ... deixamos claro, estas ações são deploráveis e inaceitáveis", disse Hillary.

 

A advertência da secretária de Estado coincide com o discurso do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, feito no dia 10, em Áquila, na Itália, durante a cúpula do Grupo dos Oito (G8, formado pelos sete países mais industrializados do mundo, mais a Rússia), quando afirmou que os líderes voltarão a analisar sua posição sobre o Irã na cúpula do G20, que será realizada em setembro, em Pittsburgh, nos EUA. O G8 emitiu, na ocasião, um comunicado no qual expressava sua preocupação com os eventos no Irã, após as eleições do dia 12 de junho, e pelo programa nuclear desse país.

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