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Hillary: Oferta de diálogo com Irã não está aberta para sempre

Secretária de Estado americana mantém proposta, mas ressalta que EUA 'não tem ilusões' sobre negociações

BBC Brasil, BBC

15 de julho de 2009 | 18h30

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou nesta quarta-feira, 15, que a oferta do governo dos Estados Unidos de dialogar com o governo do Irã "não está aberta de maneira indefinida" e que o momento para os iranianos responderem à proposta "é agora". Em um discurso no centro de estudos Council on Foreign Relations, em Washington, Hillary afirmou ainda que o Irã tem que escolher entre se juntar à comunidade internacional "como um membro responsável" ou "continuar no caminho de mais isolamento".

 

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"O Irã pode se tornar um ator benéfico na região se parar de ameaçar seus vizinhos e de apoiar o terrorismo. (O Irã) pode assumir uma posição responsável na comunidade internacional se cumprir com suas obrigações em direitos humanos", disse Clinton.

"Nós continuamos prontos para nos aproximarmos do Irã, mas o momento para agir é agora. A oportunidade não ficará aberta indefinidamente."

"Sem ilusões"

A secretária de Estado americana também afirmou que nem ela nem o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, têm ilusões de que negociações com o governo iraniano irão necessariamente fazer com que o país desista de seu programa nuclear, "mas entendemos a importância do diálogo".

"Nós sabemos que a recusa (por parte do governo de George W. Bush) em negociar com a República Islâmica não obteve sucesso em alterar a busca dos iranianos por uma arma nuclear ou reduzir o apoio iraniano ao terror", disse Hillary.

"Mas também entendemos a importância de oferecer a aproximação com o Irã e dar aos seus líderes uma escolha", afirmou a secretária de Estado. Durante a campanha à Presidência e após tomar posse no governo dos Estados Unidos, Barack Obama afirmou, em diversas ocasiões, que tentaria dialogar com Irã, mas não deixou claro como isso aconteceria.

Os Estados Unidos acusam o governo de Teerã de usar seu programa de enriquecimento de urânio para tentar construir uma arma nuclear, o que as autoridades iranianas negam. O urânio enriquecido pode ser usado tanto na fabricação de armas como na produção de energia.

Eleições

Hillary Clinton afirmou que o governo dos Estados Unidos ficou "chocado" com a violência usada pelo governo iraniano para reprimir os protestos depois das eleições presidenciais no país, realizadas em junho. "O governo usou de violência para suprimir as vozes dos iranianos e depois tentou esconder suas ações prendendo jornalistas estrangeiros e nativos, expulsando-os e cortando seu acesso à tecnologia."

Pelo menos 17 pessoas morreram no Irã em protestos após a vitória do presidente do país, Mahmoud Ahmadinejad, nas eleições do último dia 12 de junho. A secretária de Estado americana viajará à Índia ainda nesta semana e anunciou que visitará o Paquistão até dezembro.

 

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