Hillary pede pressão da África do Sul por reformas no Zimbábue

País sofre com problemas políticos de coalizão, mas vizinhos sul-africanos refutam adoção de linha-dura

Associated Press e Reuters,

07 de agosto de 2009 | 11h20

Em sua segunda parada da viagem que faz por sete nações africanas, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, se reuniu nesta sexta-feira, 7, com a ministra de Relações Exteriores da África do Sul Maite Nkoana-Mashabane e pediu que o país pressione por reformas políticas políticas e econômicas no país vizinho Zimbábue.

 

As representantes debateram uma pressão maior sobre o presidente do Zimbábue Robert Mugabe para que cumpra um acordo de divisão de poder com um adversário político, o líder opositor Morgan Tsvangirai, que se tornou o primeiro-ministro do país com o acordo, mas acusa Mugabe de retardar sua posse. Ambos foram inimigos durante anos e só aceitaram o acordo por conta da grande pressão internacional.

 

"A África do Sul está muito ciente dos desafios representados pela crise política no Zimbábue, porque a África do Sul tem 3 milhões de refugiados do Zimbábue", disse Hillary em entrevista coletiva depois do encontro. "E cada um desses refugiados representa um fracasso do governo zimbabuano em cuidar da sua própria gente, e um ônus que a África do Sul tem de arcar", acrescentou.

 

"Como vocês sabem, estamos tentando atingir a liderança do Zimbábue com sanções que achamos que possam influenciar seu comportamento sem prejudicar o povo do Zimbábue", disse Hillary.

 

Hillary disse na quinta-feira que debateria a situação no Zimbábue tanto com Maite quanto com o presidente sul-africano Jacob Zuma. O presidente provavelmente relutará em adotar uma posição mais dura em relação ao país vizinho, já que seu antecessor, Thabo Mbeki, foi o principal intermediário do acordo que levou Tsvangirai ao governo em março. Zuma afirmou que a coalizão é o único caminho que o Zimbábue tem para seguir em frente.

 

Zuma se reuniu no início da semana em Johanesburgo com Tsvangirai e prometeu falar com Mugabe sobre o impasse político. Os partidários do premiê pediram um encontro do bloco de nações sul-africanas para resolver os problemas da coalizão, mas Tsvangirai não falou mais sobre o assunto após o encontro com Zuma, que nem sequer mencionou uma possível reunião.

 

Hillary disse que mais coisas deveriam ser feitas para "amenizar os efeitos negativos da presidência perpétua do presidente Mugabe" e acrescentou dizendo que desejava conhecer a perspectiva da África do Sul sobre como "fortalecer o movimento de reforma do Zimbábue e aliviar o sofrimento do povo daquele país".

 

A África do Sul resistiu a pedidos similares dos EUA para que adotasse uma linha dura com o Zimbábue durante o governo de George W. Bush, mas funcionários americanos disseram que esperavam que o novo governo sul-africano, com menos meses no poder que Barack Obama nos EUA, adotasse uma posição de cooperação.

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