Hillary pressiona Haiti a acatar recomendações da OEA

A secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, pediu no domingo aos líderes haitianos que adotem as recomendações internacionais para a solução do impasse eleitoral no país.

ARSHAD MOHAMMED, REUTERS

31 de janeiro de 2011 | 09h50

Em uma visita ofuscada pela crise no Egito, Hillary reuniu-se com o presidente René Préval e com os principais candidatos a presidente. Ela disse ter transmitido o recado de que Washington apoia as recomendações da Organização dos Estados Americanos a respeito do caótico primeiro turno da eleição presidencial no Haiti, realizado em 28 de novembro

Especialistas da OEA viram irregularidades generalizadas na apuração dos votos e recomendaram que o músico Michel Martelly, oficialmente apontado como terceiro colocado, seja autorizado a disputar o segundo turno contra a ex-primeira-dama Mirlande Manigat. O resultado oficial apontou Manigat em primeiro lugar, e o governista Jude Celestin em segundo.

"Queremos que as vozes e os votos do povo haitiano sejam considerados e reconhecidos", disse Hillary ao desembarcar em Porto Príncipe. Ela acrescentou que isso ajudaria o Haiti também a se recuperar o devastador terremoto de 2010.

"Precisa haver um governo e precisa haver estabilidade nesse governo (...) para que a comunidade internacional realmente possa ser uma parceira. Por isso esperamos que haja uma resolução da eleição em breve", disse ela a uma rádio local, após se reunir separadamente com os três principais candidatos.

Além dos EUA, as recomendações da OEA em prol de Martelly também têm apoio da ONU, da União Europeia, da França e da Grã-Bretanha, entre outros.

Apesar do relatório da OEA e da pressão internacional, Celestin, um tecnocrata indicado por Préval para a disputa, não abandonou formalmente a candidatura, contrariando a recomendação do seu próprio partido, o Inité.

O Conselho Eleitoral Provisório do Haiti disse que irá anunciar na quarta-feira os resultados definitivos do primeiro turno.

No mês passado, partidários de Martelly promoveram distúrbios ao saberem que seu candidato deveria ser excluído do segundo turno, previsto para meados de fevereiro.

(Com reportagem adicional de Allyn Gaestel)

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