Hillary recompensa Mianmar por reforma política e abertura democrática

EUA enviarão ajuda e devem restabelecer laços após anos de represálias contra ditadura

NYT e Reuters,

02 de dezembro de 2011 | 00h18

A secretária americana de Estado, Hillary Clinton, ofereceu na quinta-feira, 1, as primeiras recompensas a Mianmar (ex-Birmânia) por suas reformas, dizendo que os EUA respaldarão o envio de mais ajuda ao isolado país e estudarão o regresso de seu embaixador depois de uma ausência de duas décadas.

Hillary afirmou que manteve conversações “sinceras e produtivas” com o presidente birmanês, Thein Sein, e ministros e disse-lhes que Washington está disposto a apoiar reformas adicionais e possivelmente levantar sanções, enquanto o país busca sair de décadas de um regime militar autoritário. Ela exortou Mianmar a adotar medidas para pôr fim aos conflitos étnicos, mas advertiu que não será possível melhorar as relações com os EUA se o país do Sudeste Asiático mantiver seus acordos ilícitos com a Coreia do Norte, que em repetidas ocasiões elevou a tensão na região por causa de seu programa nuclear.

A histórica visita de Hillary é a primeira de um funcionário de alto escalão dos EUA a Mianmar em mais de 50 anos. Mais tarde, a secretária de Estado viajou para a capital comercial de Mianmar, Rangum, onde visitou um dos principais templos budistas do país e manteve o primeiro dos dois encontros programados com a líder pró-democracia e Prêmio Nobel da Paz, Aung San Suu Lyi, libertada recentemente após passar mais de 20 anos na cadeia ou em prisão domiciliar.

A visita a Mianmar, que já não é mais uma ditadura, ocorre após o presidente Thein Sein libertar presos políticos e afrouxar a censura à mídia. As ameaças de boicote levaram empresas como Pepsico, Lévi-Strauss e Apple a sair de Mianmar mesmo antes das sanções impostas em 1997 pelo então presidente americano, Bill Clinton, por causa de violações dos direitos humanos.

Negócios. Uma distensão política permitiria às empresas americanas e europeias um maior acesso a um mercado de 62 milhões de pessoas, embora este seja um dos países mais pobres da Ásia. Até agora, países vizinhos como China, Índia e Tailândia são os que mais investem em Mianmar, tendo injetado mais de US$ 25 milhões em portos, usinas elétricas e gasodutos para explorar os enormes recursos naturais do país e aproveitar da sua localização estratégica no Oceano Índico.

“Eles possuem uma pequena bolsa de valores e há algumas empresas públicas que estão tentando se desenvolver mais agora”, afirmou Jim Rogers, presidente da Roger Holdings, com sede em Cingapura, à Bloomberg Television. “Se você conseguir encontrar maneiras para investir em Mianmar estará rico, muito rico, nos próximos 20, 30 ou 40 anos.”

O investimento está mais concentrado na produção de gás natural, que quase quadruplicou na década passada, para 12,1 bilhões de metros cúbicos em 2010, um décimo do obtido pela China, a maior produtora de gás natural da região da Ásia-Pacífico, segundo a BP Statistical Review. No ano passado, a China National Petroleum Corp, maior empresa de construção da Tailândia, assinou um contrato de US$ 8,6 bilhões com o governo de Mianmar para construir um porto em alto mar e um parque industrial.

Oportunidades. “Há grandes oportunidades em Mianmar”, disse Chanitr Charnchainarog, vice-presidente executivo da Bolsa de Valores da Tailândia. “Toda companhia ocidental que se queixa de sanções está observando silenciosamente.”

China, Hong Kong e Tailândia respondem por mais de 70% do investimento total em Mianmar, segundo estatísticas do governo, que não informam em que período. Mais de 86% do investimento estrangeiro é nos setores de eletricidade, mineração, petróleo e gás.

Entre as empresas ocidentais envolvidas nos projetos está a Total, da França, e a Chevron é proprietária de parte de um campo de gás e um duto que se estende até a Tailândia.

A Chevron, com sede na Califórnia, obteve uma participação de 28,3% no campo operado pela Total, por meio da compra, feita em 2005, da Unocal Corp, que passou a investir no país antes da proibição de 1997. A União Europeia não deve barrar investimentos nas áreas de gás e petróleo.

Algumas empresas europeias de grande porte que operam em Mianmar, entre elas a Unilever, estão em conversações para formar uma federação nos moldes das câmaras de comércio da União Europeia no Sudeste da Ásia.

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