Hillary ressalta que Irã não pode ter armas nucleares

Secretária de Estado dos EUA evita comentar sobre lançamento de míssil iraniano capaz de atingir Israel

Agência Estado e Associated Press,

20 de maio de 2009 | 12h01

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, afirmou nesta quarta-feira, 20, que um Irã com armas nucleares "espalharia uma corrida por armas" no Oriente Médio. Hillary, porém, não comentou diretamente o relato de que Teerã testou um míssil, informação divulgada pelo presidente Mahmoud Ahmadinejad.

 

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Falando a um painel do Senado, Hillary reiterou que a administração Barack Obama se opõe a que o Irã tenha capacidade de produzir armas nucleares e confia na diplomacia para impedir isso. Ela descreveu essa possibilidade como uma "ameaça extraordinária". Hillary disse que o objetivo dos EUA é "persuadir o regime iraniano de que eles serão na verdade menos seguros se prosseguirem com seu programa de armas nucleares".

 

Ahmadinejad afirmou que o Irã testou um novo míssil, nesta quarta-feira, com a capacidade de atingir Israel e bases norte-americanas. A provocativa mensagem é divulgada dias depois de o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pressionar Teerã a aceitar sua oferta de diálogo.

 

Os EUA criticam o programa de desenvolvimento de mísseis iraniano, acusando a iniciativa de provocar instabilidade no Oriente Médio. O Sejjil-2 terra-terra pode alcançar alvos a pouco mais de 1.900 quilômetros, o suficiente para atingir o

sudeste da Europa. É uma nova versão do Sejjil, que o Irã afirmou ter testado com sucesso no fim do ano passado, com alcance similar.

 

Muitos analistas apontam que o lançamento é importante, porque mísseis com combustível sólido, como o Sejjil, são mais precisos que aqueles com combustível líquido, como o Shahab-3, também do Irã. "O ministro da Defesa (Mostafa Mohammad Najjar) me informou que o míssil Sejjil-2, com tecnologia muito avançada, foi lançado de Semnan e chegou precisamente ao alvo", afirmou Ahmadinejad, segundo a rádio estatal. Ele falou durante uma visita à cidade de Semnan, 200 quilômetros a leste de Teerã.

 

Ahmadinejad concorre à reeleição em 12 de junho e tem sido criticado por opositores e outros, por hostilizar os EUA e levar o país a uma séria crise econômica. Nesta quarta-feira, a comissão constitucional do país aprovou três importantes candidatos para enfrentar Ahmadinejad.

 

Os programas de mísseis e nuclear alarmam Israel. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, pressionou Obama a aumentar a pressão sobre Teerã, durante o encontro dos dois em Washington, na segunda-feira. Ahmadinejad já pediu várias vezes que Israel seja "varrido do mapa" do Oriente Médio. Por outro lado, os israelenses não descartam uma ação militar para interromper a ameaça nuclear iraniana.

 

O Irã argumenta que seu programa de mísseis é defensivo e seu programa nuclear tem como único fim a produção de energia. Já Israel afirma que o país busca uma bomba nuclear.

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