Hillary se diz 'mais determinada que nunca' a continuar

'Fé remove montanhas', diz Hillary; pré-candidata vence na Virgínia, mas não tira favoritismo de Obama

Agências internacionais,

14 de maio de 2008 | 08h21

A senadora e pré-candidata democrata à Presidência dos Estados Unidos, Hillary Clinton, disse estar ''mais determinada do que nunca a continuar essa campanha''. Ela venceu por ampla margem as primárias democratas no Estado americano da Virgínia Ocidental, uma vantagem de 41 pontos sobre o senador Barack Obama: 67% a 26%. Mas, segundo analistas, o triunfo de Hillary nesse Estado, que só enviará 28 delegados à convenção do Partido Democrata, não altera o quadro da disputa pela candidatura presidencial democrata, que já está praticamente nas mãos de Obama.    Veja também: Confira a disputa em cada Estado Conheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA    Os comentários de Hillary foram feitos em um comício de celebração de sua vitória na primária do Estado da Virgínia Ocidental. Talvez por já estarem extenuados da longa campanha, alguns dos jornalistas que cobriam o evento deram uma risada no momento em que a senadora fez o anúncio. ''Havia alguns que queriam acabar com essa disputa antes mesmo de os votos serem depositados nas urnas. Eles diziam 'desista, a montanha é alta demais'. Mas nós sabemos pela Bíblia, que a fé move montanhas'', afirmou. Os analistas políticos e a mídia americana afirmam que a senadora não tem mais chances matematicamente de alcançar Obama tanto em votos populares como em número de delegados.  Ainda restam outras cinco prévias eleitorais na disputa democrata. A próxima data do calendário eleitoral do partido será no próximo dia 20, com as primárias de Kentucky e Oregon. Hillary é a favorita para vencer a primeira, e Obama, o mais cotado para ganhar a segunda. Os correligionários de Obama esperam poder anunciar que ele obteve o número total de 2025 delegados necessários para se sagrar o candidato do Partido Democrata no dia 20. De acordo com projeções, faltam 151 delegados para que o pré-candidato obtenha essa cifra. Hillary também defendeu a contagem dos votos da Flórida e do Michigan. As primárias realizadas nos dois Estados não tiveram validade na prática, já que ambos foram punidos pelo Partido Democrata por terem infringido as regras da legenda ao anteciparem as suas primárias. ''Esta corrida ainda não acabou, e nenhum de nós tem o número de delegados necessário para vencer. Tanto eu como o senador Obama acreditamos que os delegados da Flórida e do Michigan precisam ser representados'', disse, em referência à reivindicação de que os representantes partidários dos dois Estados tenham assentos na convenção democrata, em agosto.   A vitória de Hillary reforça sua tese de que Obama não consegue conquistar o eleitorado branco e de baixa renda. Virgínia Ocidental é um dos Estados mais pobres dos EUA e 96% da população é branca. "O preconceito racial ainda está muito arraigado por aqui", disse ao Estado Gerald Beller, cientista político da Universidade Estadual de Virgínia Ocidental. "Aqui, muitos brancos acham que os negros não trabalham e só se beneficiam da ação afirmativa." Para Beller, o triunfo de Hillary no Estado não terá impacto na disputa democrata. "Estamos quase no fim do ciclo de primárias e ela está muito atrás em número de delegados." Com um campanha afundada em dívidas de US$ 22 milhões, a senadora voltou a pedir, como vem fazendo em seus comícios mais recentes, que seus simpatizantes façam contribuições financeiras em seu website. Ela também fez elogios a seu rival. ''Eu admiro profundamente o senador Obama, mas eu acredito que a nossa causa, uma causa que a Virgínia Ocidental ajudou a defender, é mais forte''. A senadora também acrescentou que queria ''mandar uma mensagem para todos aqueles que ainda estão se decidindo. Estou nessa disputa porque acredito ser a candidata mais forte''.   Time dos sonhos Refletindo o favoritismo de Obama, uma pesquisa Gallup-USA Today divulgada na terça mostrou que 55% dos democratas quer que Hillary seja vice na chapa do senador. A pesquisa mostra também que os próprios partidários dela querem vê-la na chapa. Três em cada quatro eleitores de Hillary sonham com isso, enquanto só 43% dos eleitores de Obama querem tê-la como vice. Alguns políticos democratas apóiam a chamada "Chapa dos Sonhos". "Hillary e Barack fizeram boas campanhas e seria uma chapa fortíssima", disse o senador nova-iorquino Chuck Schumer, que apóia Hillary. Entre os partidários de Obama, porém, ninguém se entusiasma com a idéia. "Não houve nenhuma conversa entre as duas campanhas sobre uma chapa comum", disse David Axelrod, estrategista de Obama.Enquanto a batalha democrata segue, Obama continua avançando em número de superdelegados. Ontem, outros quatro anunciaram apoio ao senador, entre eles o prefeito de New Orleans, Ray Nagin, que se tornou bastante conhecido por sua intensa atuação após o furacão Katrina. Obama está na frente no voto popular e em número de superdelegados e delegados.   Uma pesquisa TV ABC/Washington Post, divulgada na terça, mostrou que Obama derrotaria com folga o republicano John McCain nas eleições presidenciais: 51% a 44%. Se Hillary fosse a candidata democrata, venceria por 49% a 46%. Os números contrariam o argumento de Hillary de que ela seria a candidata mais forte para enfrentar McCain.   (Com BBC Brasil e Patrícia Campos Mello, de O Estado de S. Paulo) var keywords = "";   Matéria ampliada às 8h10.

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