Hillary se emociona outra vez na véspera da 'superterça'

Cena lembrou a do evento na véspera da primária de New Hampshire, quando senadora quase chorou

ELLEN WULFHORST, REUTERS

04 de fevereiro de 2008 | 20h28

Praticamente empatados nas pesquisas, Hillary Clinton e Barack Obama disputam o voto democrata no nordeste dos EUA, na reta final antes da chamada "superterça", em que vários Estados realizam a indicação do candidato do partido à presidência. Em visita à Universidade Yale, Hillary ficou com os olhos marejados ao ouvir um apresentador lembrar a época em que ela estudou Direito ali.     Veja também:   Obama amplia vantagem sobre Hillary na Califórnia  Campanhas de Hillary e Obama tentam conquistar 'terreno rival'  Mulher de Schwarzenegger apoia Obama  Candidatos nos EUA investem pesado na TV  Especial eleições americanas   Cobertura completa das eleições nos EUA     A cena lembrou a do evento na véspera da primária de New Hampshire, no mês passado, quando ela também quase chorou - o que analistas consideram que foi decisivo para a vitória dela naquele Estado, contrariando as pesquisas que apontavam o favoritismo de Obama. "Bem, eu disse que não iria chorar. Já não estamos exatamente nesse caminho", disse a senadora e ex-primeira-dama. O também senador Obama fez campanha em Connecticut e Nova Jersey, onde disse que "não podemos esperar para trazer a mudança para a América". Ele teve a companhia do senador Edward Kennedy e de Caroline Kennedy, filha do falecido presidente John F. Kennedy. A "superterça" tem esse nome porque é o principal dia da disputa pré-eleitoral nos EUA. Neste ano, haverá votação para um ou ambos os partidos em 24 Estados --um recorde na história eleitoral norte-americana. Estarão em disputa mais de metade dos delegados à convenção democrata e cerca de 40 por cento dos delegados republicanos. A Geórgia será o primeiro Estado a encerrar a votação na terça-feira, às 19h (22h em Brasília). Na Califórnia, principal Estado em disputa, as urnas serão fechadas às 2h de quarta-feira (hora de Brasília). Entre os republicanos, o favorito John McCain foi a Massachusetts, Estado que já foi governado por seu adversário Mitt Romney, e disse que é capaz de vencer ali também. Ao contrário do que acontece entre os democratas, cuja disputa ainda deve se prolongar, McCain tem chance de consolidar sua candidatura na "superterça". "Acredito que temos todas as chances de levar o Estado de Massachusetts amanhã", disse ele a centenas de simpatizantes no histórico mercado Faneuil Hall, em Boston. Romney passou por Tennessee e Geórgia antes de seguir para a Califórnia, onde a pesquisa Reuters/C-SPAN/Zogby o coloca à frente de McCain. "Se eu ganhar na Califórnia, isso significa que vocês terão um conservador na Casa Branca", disse Romney a jornalistas depois de tomar café da manhã com eleitores no restaurante Pancake Pantry, em Nashville, no Tennessee. Duelo democrataObama e Hillary travaram nas últimas semanas um acirrado duelo pela indicação do partido à eleição de novembro. Cada um deles venceu duas das quatro primeiras disputas deste ano. Caçando votos de costa-a-costa, Hillary dá sinais do desgaste físico. Sua voz está rouca e sumida após dias de atividade incessante, e uma tosse a fez lacrimejar novamente durante um evento em New Haven. Ela fez uma pausa, tomou um gole de água e continuou comparando suas propostas para a saúde com as de Obama, que segundo ela deixariam até 15 milhões de norte-americanos sem proteção. "Meu objetivo é colocar todos dentro do sistema. Estou concorrendo a presidente porque sei que podemos fazer melhor do que já fizemos", disse ela. As pesquisas indicam empate técnico entre Hillary e Obama na maioria dos Estados, embora o levantamento Reuters/C-SPAN/Zogby mostre o senador abrindo 6 pontos de vantagem sobre a colega de bancada na Califórnia, que tem 441 delegados --mais de um quinto do total necessário para conseguir a indicação. Como os democratas distribuem seus delegados levando em conta a votação geral no Estado e nos distritos eleitorais individualmente, é possível que um candidato consiga muitos delegados mesmo em Estados onde não seja o vencedor. É por causa desse sistema que a disputa democrata deve se prolongar depois da "superterça". No caso dos republicanos, ao contrário, vale o sistema em que o vencedor leva todos os delegados do Estado, sem importar a margem da vitória. McCain disse em Boston que espera "ir bem o suficiente para, tomara, levar este processo a um encerramento". "Se não", ressaltou, "estaremos bem preparados para continuar saindo para a campanha." Romney tenta seduzir a base conservadora do partido e tirar vantagem da desconfiança com que esse eleitorado vê McCain em questões como impostos, imigração e reforma do financiamento eleitoral. O ex-governador garante que a disputa não acabará na terça-feira. "Por todo o país, os conservadores se uniram e disseram: 'Quer saber? Não queremos o senador McCain. Queremos que um conservador esteja na Casa Branca"', disse Romney. O ex-governador de Arkansas Mike Huckabee também permanece na disputa e em alguns Estados está tirando votos conservadores de Romney. Huckabee espera ter um bom desempenho no sul dos EUA para permanecer na corrida. (Reportagem adicional de Jeff Mason em New Jersey, Claudia Parsons em Tennessee, Steve Holland em Massachusetts)

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