Jose Mendez/Efe
Jose Mendez/Efe

Hillary vai ao México por cooperação na luta contra o narcotráfico

Secretária reconheceu responsabilidade americana por demanda de narcóticos

Associated Press

23 de março de 2010 | 13h22

CIDADE DO MÉXICO - Quase um ano depois de o presidente dos EUA, Barack Obama, ter prometido ser um "sócio pleno" do México na guerra contra os cartéis do narcotráfico, uma equipe de secretários e assessores do gabinete presidencial americano, incluindo a secretária de Estado Hillary Clinton, chegou nesta terça-feira, 23, à nação latino-americana para buscar formas de cooperação no assunto.

 

As conversas de um dia ficaram mais urgentes depois que uma empregada do consulado de Washington em Ciudad Juaréz, seu marido e o esposo de uma empregada mexicana foram assassinados a tiros há duas semanas. Ciudad Juarez faz fronteira com a cidade de El Paso, no Texas.

 

As reuniões bilaterais na Cidade do México foram planejadas há meses e foram encabeçadas pelo lado americano com Hillary. A secretária foi acompanhada pelo secretário de Defesa, Robert Gates, pela secretária de Segurança Doméstica, Janet Napolitano, pelo diretor da Agência Nacional de Inteligência, Dennis Blair e pelo chefe do Estado Maior Conjunto, o almirante Mike Mullen.

 

Nova etapa

 

O México e os Estados Unidos concordaram nesta terça em iniciar uma nova etapa na cooperação antidrogas que inclua aspectos sociais e econômicos, em meio a uma onda de violência do narcotráfico que alcançou pessoas ligadas ao governo norte-americano.

 

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, disse que a nova etapa é um "reconhecimento de que queremos uma estratégia ampla" ao considerar que a segurança em si mesma é importante, mas as áreas social e econômica também o são.

 

Ao final de uma reunião entre funcionários de alto nível de ambos os países, Hillary afirmou que os EUA aceita a responsabilidade na guerra antidrogas e reconheceu que a demanda por drogas em seu país e o tráfico ilegal de armas alimentam a violência dos cartéis no México.

 

A nova etapa terá enfoque em quatro frentes; desmantelamento das organizações do narcotráfico; fortalecimento das instituições de segurança; desenvolvimento de uma fronteira segura e competitiva, além do fortalecimento da coesão social em comunidades dos dois países.

 

Os dois governos anunciaram que, como parte da nova estratégia, realizarão um estudo binacional sobre o consumo de drogas ilícitas em seus territórios para terem uma ideia precisa e atual do problema.

 

Também foi acordado um plano piloto contra a violência em cidades fronteiriças; Tijuana (México/San Diego (EUA) e Ciudad Juárez (México)/El Paso (EUA), com o objetivo de aumentar as forças institucionais em cada uma das cidades, além de promover o desenvolvimento econômico e social.

 

Os acordos fazem parte da renovação da chamada Iniciativa Mérida, lançada em 2007 para proporcionar equipes e capacitação ao México para aumentar sua capacidade policial contra os cartéis de drogas.

 

Não à legalização

 

O México e os Estados Unidos descartaram nesta terça a possibilidade de legalizarem as drogas com o objetivo de tirar o poder dos cartéis que operam nos dois países, garantiu a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton.

 

Ao ser perguntada em uma coletiva de imprensa junto com a chanceler mexicana, Patricia Espinosa, sobre se havia tal possibilidade, Hillary respondeu com um sonoro "não" e insistiu em que a luta contra o tráfico de drogas é uma prioridade para o governo Obama.

 

A secretária destacou que os fundos que se destinarão a nova política antidrogas, que será apresentado "em breve" demonstram a importância que a administração dos EUA conferem ao combate ao tráfico de drogas.

 

"Creio que é justo dizer que com o nível de recursos que o presidente Obama disponibilizou primariamente, é uma alta prioridade para nós", disse Hillary.

 

"Sabemos o quanto é duro, acredito que vivemos o suficiente para saber que isso não se consegue facilmente, mas aprendemos lições e vamos aplicá-las".

 

Segundo dados fornecidos pela embaixada dos EUA no México, em 2008 20 milhões de americanos maiores de 12 anos haviam consumido drogas no mês anterior à realização de uma pesquisa.

 

A liga diplomática também informou que as autoridades mexicanas apreenderam um total de 92 toneladas de cocaína, 6,5 de maconha e quase uma de heroína entre dezembro de 2006 e março de 2010.

 

Notícia atualizada às 23h05 para acréscimo de informações

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